07 de Outubro de 2026
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Política Quarta-feira, 07 de Outubro de 2026, 10:45 - A | A

Quarta-feira, 07 de Outubro de 2026, 10h:45 - A | A

DERROTA NAS URNAS

Júlio Campos culpa Mauro Mendes por derrota e diz que família está fora da disputa em VG

Sem mandato a partir de fevereiro, deputado afirma que não recebeu fundo partidário e que a família Campos não terá candidato próprio à Prefeitura de Várzea Grande em 2028

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

Julio Campos

O deputado estadual Júlio Campos (União Brasil), que não conseguiu se reeleger no domingo (4), descartou nesta quarta-feira (7) uma candidatura da família Campos à Prefeitura de Várzea Grande em 2028 e responsabilizou o ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil e senador eleito, por parte da derrota. Em entrevista na Assembleia Legislativa, o parlamentar disse que a direção do partido esvaziou a chapa de deputados estaduais e cortou o repasse de fundo partidário para a campanha dele.

"Nem idade nós temos mais para ser prefeito", afirmou Júlio ao ser questionado sobre 2028, ao citar a si mesmo, o irmão, senador Jayme Campos (União Brasil), e a ex-prefeita Lucimar Campos. Segundo ele, o grupo vai preparar um nome mais jovem. Entre os interessados, mencionou a vereadora Rosy Prado (União Brasil) e o deputado estadual Fábio Tardin, o Fabinho. Disse ainda que a prefeita Flávia Moretti (PL) é candidata natural à reeleição e que a forma de participação da família ainda depende do cenário até lá.

Júlio terminou a eleição com cerca de 18,5 mil votos, número que, segundo ele, garantiu apenas a primeira suplência da federação União Progressista. A meta da campanha era de 40 mil. A bancada da federação na Assembleia caiu de quatro para duas cadeiras, de acordo com o deputado, que classificou a chapa como fraca, com nove candidatos, dos quais cinco somaram cerca de 2,7 mil votos.

O deputado atribui a fragilidade da nominata a Mauro Mendes. Segundo Júlio, filiados que poderiam reforçar a chapa deixaram o União Brasil no último dia do prazo e disputaram por outros partidos. Ele também afirmou ter sido o único candidato do partido sem recursos do fundo partidário. "Fui cortado do fundo partidário", disse, ao afirmar que outros correligionários receberam de R$ 1 milhão a R$ 2,9 milhões. De acordo com ele, a campanha foi feita com recursos próprios e doações de familiares e amigos, com 60 bandeiras distribuídas em Cuiabá e Várzea Grande e nenhuma no interior.

A falta de palanque pesou, segundo Júlio. Depois que o grupo ligado a Jayme Campos perdeu a convenção do União Brasil e o senador ficou sem candidatura, o deputado acompanhou o irmão no apoio ao senador Wellington Fagundes (PL) para o governo. Na avaliação dele, Wellington praticamente não fez campanha no interior e esperou o efeito do apoio de Jair Bolsonaro, que não veio. Sem participar do palanque do próprio partido, que apoiava o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), Júlio disse ter ficado sem espaço nas duas frentes.

Pivetta foi reeleito no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Júlio admitiu surpresa com o resultado, lembrou que Wellington liderava as pesquisas até cerca de 15 dias antes da votação e criticou integrantes da família Bolsonaro que, segundo ele, pediram votos para Pivetta.

O deputado também apontou o crescimento do PL e do PT nas urnas. Citou a votação da deputada federal Coronel Fernanda (PL), que, segundo ele, esperava 80 mil votos e recebeu 205 mil, e a do deputado estadual Lúdio Cabral (PT), que teria chegado a 86 mil votos, acima da expectativa. Mencionou ainda o desempenho do presidente da Assembleia, Max Russi (Podemos), que, nas palavras dele, montou uma chapa competitiva.

Na disputa pelo Senado, venceram Mauro Mendes e o deputado federal José Medeiros (PL). Júlio afirmou que houve uma troca de votos entre o grupo do ex-governador e o bolsonarismo que, segundo ele, prejudicou a senadora Margareth Buzetti (PP), candidata do mesmo grupo político. Ele destacou que a deputada estadual Janaina Riva (MDB) obteve cerca de 550 mil votos e ficou em terceiro lugar.

O ex-governador reagiu a uma declaração atribuída pela reportagem ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), de que o eleitor não quer mais famílias como os Campos e os Riva no poder. Júlio disse discordar e afirmou que, em 50 anos de vida pública, nem ele nem Jayme responderam a processos por corrupção ou desvio de dinheiro público. Em seguida, acusou Abilio de usar a estrutura da prefeitura para eleger a esposa, a vereadora Samantha Iris (PL), e de trair colegas de partido.

Júlio citou outros deputados que também não voltarão à Assembleia, como Eduardo Botelho (MDB), que presidiu a Casa três vezes, Juca do Guaraná, Valmir Moretto, Elizeu Nascimento e Paulo Araújo. Na avaliação dele, Botelho e Paulo Araújo teriam se reeleito se tivessem permanecido no União Brasil.

Sobre o futuro no partido, o deputado disse que vai aguardar e que pode continuar na legenda, porque o União Brasil "não é de Mauro Mendes". Afirmou que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, e que pedirá votos aos amigos, sem participar diretamente da campanha.

Prestes a completar 80 anos, Júlio afirmou que cumprirá o mandato até 31 de janeiro de 2027. Ele lembrou que presidiu por dois anos a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia e integrou a Mesa Diretora como vice-presidente. "Política é isso aí. Não pode ter mágoas nem ressentimento", disse.

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