11 de Abril de 2026
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Política Sábado, 11 de Abril de 2026, 15:11 - A | A

Sábado, 11 de Abril de 2026, 15h:11 - A | A

concessão da BR-163

Lúdio cobra explicações sobre R$ 350 milhões liberados à MT-PAR

Deputado levanta dúvidas sobre destinação do recurso e associação com fundo de R$ 448,5 milhões administrado por gestora investigada

Rojane Marta/Fatos de MT

A abertura de um crédito suplementar de R$ 350 milhões em favor da MT Participações e Projetos (MT-PAR), autorizada por decreto do governo estadual, motivou novo questionamento do deputado estadual Lúdio Cabral, que cobra esclarecimentos sobre a finalidade do recurso e sua relação com um fundo de investimento de quase R$ 450 milhões criado em 2023.

O valor consta no Decreto Orçamentário nº 40/2026, publicado no Diário Oficial, que autoriza a suplementação por excesso de arrecadação para a estatal, vinculada à estruturação de investimentos e participação em capital de empresas e fundos . O documento aponta que o recurso será destinado a ações classificadas como “participação em capital de empresas e fundo de investimentos” .

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Lúdio questionou a ausência de detalhamento público sobre o destino do novo aporte. “Esse R$ 350 milhões é para quê? É para que finalidade?”, afirmou.

O parlamentar associa a suplementação a um ponto que já vinha sendo alvo de cobrança na Assembleia: o fundo MTPar Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não Padronizado (FIDC NP), criado em 2023 para viabilizar a estrutura financeira da concessão da BR-163/364, assumida pelo Estado.

Segundo Lúdio, o fundo recebeu R$ 448,5 milhões do governo estadual à época, com o objetivo de adquirir dívidas da antiga concessionária Rota do Oeste. A estrutura foi montada no contexto da transferência da concessão da rodovia ao Estado, com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

O deputado afirma que, passados três anos da criação do fundo, ainda não há clareza sobre a movimentação e a aplicação dos recursos. “O que foi feito com esse recurso ao longo desse tempo?”, questionou.

Outro ponto levantado por Lúdio diz respeito à gestão do fundo. De acordo com ele, a administração ficou a cargo da Reag Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A, posteriormente liquidada pelo Banco Central após investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

O parlamentar também citou informações sobre possíveis vínculos da gestora com esquemas de lavagem de dinheiro, o que, segundo ele, reforça a necessidade de apuração sobre eventuais riscos envolvendo recursos públicos aplicados no fundo.

Diante do cenário, Lúdio afirmou que avalia convocar o secretário de Estado de Fazenda e o presidente da MT-PAR para prestar esclarecimentos à Assembleia Legislativa. A cobrança inclui detalhes sobre a movimentação financeira do fundo, eventuais mudanças na gestão após a liquidação da Reag e medidas adotadas pelo Estado para mitigar riscos.

Um requerimento com pedidos de informação já foi aprovado pelo Legislativo, solicitando documentos, contratos e dados sobre a aplicação dos recursos, incluindo valores, datas, contrapartes e garantias envolvidas nas operações.

Até o momento, o Governo de Mato Grosso e a MT-PAR não se manifestaram sobre os questionamentos.

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