O governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União), criticou a direção nacional do PRD após a destituição do ex-secretário-chefe da Casa Civil Mauro Carvalho do comando da sigla no Estado, decisão tomada a poucos dias do fim do prazo de filiação partidária. Em entrevista nesta segunda (30), Mendes afirmou que a mudança pode estar ligada a práticas políticas que envolvem negociação de controle partidário.
Sem citar diretamente responsáveis, o governador sugeriu que a intervenção no diretório estadual segue uma lógica recorrente na política brasileira. “No Brasil sempre existe alguém pronto para vender um partido e alguém pronto para comprar partido”, afirmou.
A decisão foi tomada pela cúpula nacional do PRD, liderada por Ovasco Resende e Paulinho da Força, no momento em que o grupo de Mauro Carvalho articulava chapas proporcionais em Mato Grosso para as eleições deste ano.
Mendes classificou a medida como inadequada diante do contexto eleitoral e do estágio das articulações políticas no Estado. “Faltando quatro dias para o prazo, a gente tinha uma comissão com a chapa estadual montada e finalizando a chapa federal”, disse.
Ao comentar a justificativa apresentada pela direção nacional, de que não houve tempo hábil para estruturar candidaturas, o governador rebateu. “Claro que não. Quem vai montar uma chapa federal faltando três, quatro dias? Isso é história para boi dormir”, declarou.
Apesar das críticas, Mendes evitou apontar diretamente quem estaria por trás da movimentação. “Suspeita eu tenho, igual você tem, igual todo mundo tem, mas eu, enquanto governador, tenho que ter postura”, afirmou.
O episódio ocorre em meio à reorganização de partidos e alianças em Mato Grosso, com impacto direto na formação de chapas para deputado estadual e federal. Parte do grupo político ligado ao governo avaliava migrar para o PRD, cenário que agora pode ser revisto.
Mesmo com o impasse, Mendes sinalizou que há alternativas para acomodar aliados. “Seguramente nós teremos solução. Só não tem solução para a morte”, disse. Em outro momento, reforçou a disposição de manter o grupo unido. “Ninguém solta a mão de ninguém”, afirmou.
O prazo final para filiação partidária se encerra no dia 4 de abril, o que pressiona lideranças políticas a definirem rapidamente seus destinos partidários.









