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Política Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 11:10 - A | A

Sexta-feira, 13 de Março de 2026, 11h:10 - A | A

“nego vagabundo”

Natasha chama fala de Mauro Mendes de “racista e preconceituosa”

Pré-candidata do PSD ao governo de Mato Grosso critica discurso sobre experiência, cobra prioridade para saneamento e diz que servidor público precisa ser ouvido

Rojane Marta/Fatos de MT

A pré-candidata ao governo de Mato Grosso Natasha Slhessarenko (PSD) reagiu nesta sexta-feira (13) às declarações do governador Mauro Mendes (União) sobre experiência administrativa e classificou como “altamente racista e altamente preconceituoso” o discurso em que o chefe do Executivo afirmou que um “nego vagabundo” poderia quebrar o Estado. Natasha foi oficializada como pré-candidata do PSD ao Palácio Paiaguás com apoio do campo progressista formado por PSD, PT, PV e PCdoB.

Ao responder às críticas do governador sobre experiência administrativa, a médica tentou deslocar o debate para sua trajetória profissional e atuação no serviço público. O questionamento de Mauro Mendes foi feito nos últimos dias ao comentar nomes que podem disputar o governo em 2026. O alvo mais recente da crítica foi o senador Wellington Fagundes (PL), a quem o governador afirmou que “não tem experiência nenhuma” para governar o Estado.

Natasha afirmou que construiu experiência tanto no setor privado quanto na carreira acadêmica e questionou o peso desse argumento quando mulheres entram na disputa política.

“Quando o nosso governador se candidatou pela primeira vez foi a um cargo majoritário da prefeitura. Será que esse tipo de questionamento surgiu quando eram homens candidatos ou isso também permeia porque eu sou mulher?”, questionou.

Ela também comentou à declaração do governador sobre o risco de o Estado cair nas mãos de “nego vagabundo”. Natasha classificou a declaração como racista e preconceituosa. “Ele é altamente racista e altamente preconceituoso. Ele acha que só ele é capaz de governar”, afirmou.

A pré-candidata também contestou a posição do governo sobre a recomposição salarial dos servidores públicos estaduais. Em janeiro, o Executivo encaminhou proposta de Revisão Geral Anual (RGA) de 5,4%, incorporada ao salário do funcionalismo, mas manteve fora do cálculo o passivo acumulado de cerca de 19,5%, que segue sendo reivindicado pelas categorias.

Segundo Natasha, o argumento fiscal apresentado pelo governo não se sustenta diante da capacidade de investimento do Estado.

“Um estado que sempre tem superado-se, um estado que mais cresceu, não é possível isso. Se a gente tem R$ 3 bilhões para investir num parque, a gente não tem como pagar o RGA do funcionário público que é garantido em Constituição”, afirmou.

Na área de infraestrutura, a pré-candidata criticou o desempenho do Estado no saneamento básico e afirmou que a falta de investimentos na área ocorre porque as obras não trazem retorno eleitoral imediato.

“Saneamento básico traz saúde, traz melhores condições de vida, é um indicador de qualidade de vida, mas infelizmente por ser embaixo da terra, ele não traz votos”, declarou.

Dados do Ranking do Saneamento 2025, do Instituto Trata Brasil, mostram que Cuiabá aparece na 46ª posição entre os 100 maiores municípios do país, enquanto Várzea Grande ocupa a 92ª colocação, entre os piores desempenhos nacionais.

Ao final da entrevista, Natasha afirmou que pretende disputar o governo como alternativa política ao cenário atual em Mato Grosso. O grupo que apoia sua candidatura busca consolidar um campo fora do eixo da direita bolsonarista e do bloco governista ligado ao atual Executivo estadual.

 

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