O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, criticou a articulação política para viabilizar uma eventual reeleição na presidência da Câmara de Cuiabá e afirmou que a interferência do Executivo nesse processo é inadequada e pode comprometer a independência entre os poderes.
Durante entrevista nesta terça (14), Russi disse que não participa das discussões internas do Legislativo municipal e que a condução do processo deve ficar restrita aos vereadores. “A interferência é ruim. Eu não tenho participado dessa discussão da Câmara de Vereadores, até porque eu tenho que cuidar do Parlamento Estadual”, afirmou.
O posicionamento ocorre em meio ao debate sobre a possibilidade de recondução da atual presidente da Câmara, Paula Calil, o que exigiria mudança no regimento interno da Casa.
Sem citar diretamente o prefeito Abílio Brunini como articulador, Russi fez referência indireta à atuação do Executivo ao afirmar que a eventual aprovação da medida dependeria de negociações políticas. “Vai ter que fazer concessões. Eu não sei o tamanho, porque o Abílio pregou na campanha que não faria isso”, disse.
O presidente da ALMT também questionou a viabilidade da proposta. Segundo ele, nunca houve reeleição para o cargo na Câmara de Cuiabá, o que exigiria uma mudança prévia nas regras antes de qualquer votação. “É um projeto que teria que mudar o regimento da Câmara. Não é possível isso da forma como está hoje”, pontuou.
Russi afirmou ainda que, apesar de reconhecer o desempenho de Paula Calil à frente do Legislativo, não vê clareza sobre o interesse da própria vereadora em disputar a reeleição. “Pelo que eu escuto, nem a Paula mesmo tem interesse desse projeto”, declarou.
Ao tratar da relação entre Executivo e Legislativo, o deputado reforçou a necessidade de autonomia entre os poderes e citou sua própria experiência como prefeito para sustentar o argumento. “Prefeito tem que ter tranquilidade. Independente de quem for o presidente da Câmara, tem que trabalhar com independência”, afirmou.
O parlamentar também alertou para os riscos de tentar eleger um aliado direto para o comando do Legislativo. “Quando a gente quer muito fazer alguém muito ligado, aí realmente a gente tem que ter preocupação”, disse.
Apesar das críticas à articulação, Russi deixou claro que, como presidente estadual do Podemos, dará apoio a qualquer vereador do partido que dispute cargos na Mesa Diretora. Segundo ele, os seis parlamentares da sigla estão aptos para assumir funções de liderança na Câmara.
Questionado sobre a possibilidade jurídica da reeleição, o presidente da ALMT citou entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que permite uma recondução, mas destacou que, no caso de Cuiabá, o principal obstáculo é regimental. “A Câmara não tem isso no regimento, então teria que mudar primeiro para depois votar”, explicou.
Por fim, Russi avaliou que a aprovação da proposta é improvável, embora não descarte a possibilidade de avanço caso haja articulação suficiente por parte do Executivo. “Particularmente acho bastante difícil, mas o prefeito tem o convencimento dele e pode tentar”, concluiu.









