A estrutura financeira de um fundo de investimento com possível ligação à MT Participações e Projetos S.A. (MTPAR) entrou no radar da CPI do Crime Organizado no Senado após o ex-governador Pedro Taques levantar suspeitas sobre a movimentação de recursos públicos por meio desse tipo de instrumento. A declaração foi feita durante depoimento prestado nesta semana, no avanço das investigações que buscam identificar como organizações criminosas operam financeiramente no país.
Durante a oitiva, Taques citou a existência de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) associado à empresa Reag e afirmou que valores oriundos da chamada “Fonte 100” — que representa recursos diretos do caixa do Estado — teriam sido direcionados à estrutura. Segundo ele, a operação levanta dúvidas sobre a rastreabilidade dos recursos e sobre a forma como esses valores podem ter circulado dentro do sistema financeiro.
Sem apontar conclusões definitivas, o ex-governador afirmou que o caso exige aprofundamento técnico. A preocupação, segundo ele, está no uso de estruturas financeiras consideradas complexas, que podem permitir múltiplas camadas de movimentação, dificultando a identificação da origem e do destino final dos recursos.
A menção à MTPAR amplia o alcance político e institucional do tema. A empresa pública é responsável por estruturar projetos estratégicos do Estado, incluindo operações financeiras, concessões e parcerias. Ao ser citada no contexto da CPI, ainda que de forma preliminar, passa a integrar um debate que inicialmente estava concentrado na atuação direta de facções criminosas.
No depoimento, Taques também contextualizou que organizações criminosas têm migrado para modelos mais sofisticados de atuação, com inserção em estruturas empresariais e financeiras formais. Segundo ele, esse movimento exige uma resposta mais articulada dos órgãos de controle, incluindo o Ministério Público, Polícia Federal, Tribunal de Contas, Banco Central e Comissão de Valores Mobiliários.
A CPI do Crime Organizado busca mapear não apenas a atuação das facções, mas principalmente os mecanismos utilizados para movimentação e ocultação de recursos. Nesse contexto, fundos de investimento passaram a ser citados como estruturas sensíveis dentro das investigações.
A fala do ex-governador deve provocar novos desdobramentos na comissão, como pedidos de documentos, convocações e análises detalhadas das operações mencionadas. Até o momento, não há deliberação sobre responsabilizações, e os dados apresentados ainda serão confrontados com outras informações colhidas ao longo das oitivas.









