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Política Sábado, 10 de Outubro de 2026, 13:18 - A | A

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“Tem céu e tem inferno”: presidente do TCE diz que quem não ajudar “vai arder”

Sérgio Ricardo encerrou discurso em evento do Judiciário falando de céu, inferno e da cobrança que, segundo ele, espera o servidor público omisso.

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução vídeo

Sérgio Ricardo vídeo

Quem pode fazer e não faz “vai arder”, e o servidor público que deixar de ajudar terá de prestar contas “num clima gostoso” ou “na chama”. As afirmações são do presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, e foram feitas nesta sexta-feira (9), em Cuiabá, no encerramento do discurso dele na 2ª edição do TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência, evento do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Ao falar sobre ajudar o próximo, o conselheiro disse acreditar na existência do céu e do inferno. Assista no final da reportagem.

“Tem céu e tem inferno, eu acredito, tem céu e tem inferno, e aquele que puder fazer e não fizer, vai arder, vai arder”, declarou. Logo depois, fez questão de se apresentar à plateia: “Não sou padre, não sou pastor, eu sou um cristão que acredita em Deus, e ele está olhando.”

Sérgio Ricardo repetiu algumas vezes que quer ir para o céu e disse que todo mundo quer o mesmo, mas que ninguém chega lá sem ajudar o outro. Para ele, a oração sozinha não resolve. “Não adianta rezar o dia inteiro, ficar numa igreja rezando o dia inteiro, você ajude o seu próximo”, afirmou, antes de pedir ao público que olhasse “para ver como é que estão as coisas na sua cidade”.

Em seguida, dirigiu o recado a quem ocupa função pública. “O homem público, o servidor público, aquele que puder ajudar e não ajudar, vai ter que prestar contas, e pode ser num clima gostoso, ou pode ser na chama, cada um escolhe”, disse. O discurso terminou com um “que Deus nos abençoe”.

Contudo, boa parte do discurso foi dedicada a dados de uma auditoria que, segundo o conselheiro, o TCE está fazendo sobre a rede de atendimento a pessoas com autismo e deficiência em Mato Grosso. Ele afirmou que o tribunal notificou todos os prefeitos para informar a estrutura de apoio existente em cada cidade e que equipes estão visitando escolas e municípios.

Segundo Sérgio Ricardo, a auditoria identificou 1.462 crianças sem diagnóstico concluído em 70 municípios, cerca de metade das cidades do Estado. "Se não concluiu o diagnóstico, não tem o tratamento", disse. Ele também afirmou que cerca de 80% das famílias já deixaram de levar os filhos a atendimentos por dificuldade financeira e que 47% precisaram recorrer à Justiça para conseguir serviços de saúde. De acordo com o conselheiro, em 2024 e 2025 foram gastos aproximadamente R$ 32 milhões com ações judiciais movidas por pais em busca de atendimento.

O presidente do TCE citou ainda cobertura zero em reabilitação visual nas 16 regiões pesquisadas até agora e disse que o autismo já representa de 50% a 70% da demanda por reabilitação. Segundo ele, em 100% dos casos pesquisados os pais não sabem o que acontecerá com os filhos autistas depois que completarem 14 anos. "Tem dinheiro federal e o Estado não consegue buscar o dinheiro federal para essas instituições", afirmou.

O conselheiro relatou também a visita a uma escola especializada em Várzea Grande, feita na semana anterior após uma denúncia. Segundo ele, a escola estava fechando as portas porque a prefeitura do município estava havia oito meses sem pagar pelo atendimento. Depois da ação do TCE, disse, a escola voltou a receber os alunos. Sérgio Ricardo afirmou que, em dezembro do ano passado, o governo do Estado cancelou um contrato que atendia 1.200 crianças na mesma escola. "Qual é o destino dessas 1.200 crianças? Não se sabe", disse.

Ao defender que as instituições "saiam da casinha", o presidente do TCE afirmou que o Estado "falhou com muita gente" nas políticas públicas para neurodivergentes e pessoas com deficiência. Ele disse ainda que o tribunal prepara o Plano Mato Grosso 2050 e que vai fiscalizar o uso do dinheiro público para garantir a equidade no atendimento.

Assista o trecho polêmico do discurso:

 

 
 
 
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Assista a íntegra do discurso: 

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