Deputados estaduais usaram a tribuna da Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (9), em Cuiabá, para revelar como votaram na sessão secreta de 3 de dezembro de 2025, quando o veto ao reajuste de 6,8% dos servidores do Poder Judiciário foi mantido por 12 votos a 10. Todos os que falaram disseram ter votado pela derrubada do veto, o mesmo lado que perdeu a votação.
Elizeu Nascimento (Novo) foi o primeiro a assumir. Servidor público de carreira da segurança, disse que registrou e publicou o próprio voto na ocasião, mesmo com o escrutínio fechado, e que repetiria a posição agora que a votação será aberta. Para ele, o que está em discussão não é aumento, e sim reposição de perda salarial.
De uma viagem, por videoconferência, Faissal (PL) declarou que gravou o voto em dezembro por discordar do sigilo e pediu que a votação desta quarta fosse adiada por uma hora para que pudesse participar. Janaína Riva (MDB) fez o mesmo relato e classificou a sessão de dezembro como uma votação infeliz que agora poderia ser corrigida.
Wilson Santos (PSD) afirmou que já votou pela derrubada e quer mais do que isso, defendendo pagamento retroativo. Júlio Campos (União) cobrou dos colegas que abandonem a posição de alinhamento automático com o Executivo. Paulo Araújo (Republicanos), servidor de carreira da Secretaria de Estado de Saúde, lembrou ter apresentado uma das primeiras propostas para acabar com o voto secreto na Casa e disse que jamais votou contra servidor em qualquer matéria. Thiago Silva (MDB), Carlos Avallone (PSDB), Lúdio Cabral (PT) e Diego Guimarães (Republicanos) também manifestaram apoio à derrubada.
A aritmética não acompanha o discurso. Doze parlamentares votaram para manter o veto do então governador Mauro Mendes (União) em dezembro, e o sigilo impediu identificar quem foram. O Pleno do Tribunal de Justiça anulou a deliberação em 13 de agosto, ao considerar inconstitucional a regra estadual que permitia o voto fechado na análise de vetos, e determinou nova apreciação com identificação individual.
Essa nova votação continua sem acontecer. A sessão desta quarta foi encerrada com nove dos 24 deputados registrados, número insuficiente para abrir a Ordem do Dia, apesar da decisão da desembargadora Helena Maria Bezerra Ramos que mandou incluir a matéria na pauta sob multa pessoal de R$ 50 mil por dia. Os que sustentaram a posição da tribuna estavam, em sua maioria, entre os presentes.
Lúdio Cabral resumiu o cálculo que ninguém contestou em plenário: com quórum apertado, um voto contrário mantém o veto, e não há segunda chance, porque o texto rejeitado só voltaria à Casa como novo projeto.
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