16 de Outubro de 2026
00:00:00

Agro Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, 15:24 - A | A

Sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, 15h:24 - A | A

AS PODEROSAS DO AGRO

De herdeira da Amaggi a indígenas: seis mulheres de MT entram em lista da Forbes

Pecuaristas, lideranças indígenas, uma agrônoma Paresi e a presidente da Fundação Amaggi estão na segunda edição da seleção

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução FORBES

poderosas do AGRO

Seis mulheres que atuam em Mato Grosso estão na segunda edição da Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro, divulgada pela Forbes Brasil na quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. São elas a presidente da Fundação Amaggi, Belisa Souza Maggi, a pecuarista Carmen Perez, a fundadora do movimento Agroligadas, Geni Caline Schenkel, a engenheira agrônoma Maria Cecília Zenezokemaero, a pecuarista Natália Martins, de Cáceres, e a liderança indígena Neiriane Taerik, de Brasnorte. A revista afirma que escolheu os nomes por três critérios: poder de decisão sobre recursos e negócios, impacto nas cadeias produtivas e capacidade de mobilizar outras pessoas.

Neiriane é a mais jovem do grupo mato-grossense. Aos 26 anos, tornou-se a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, que reúne 12 aldeias Rikbaktsa na Terra Indígena Erikpatsa, no noroeste do estado. Um grupo de 16 mulheres beneficia e vende castanha-do-pará e comercializou 2,5 toneladas entre 2024 e 2025. O trabalho faz parte de um projeto de bioeconomia que pretende chegar a 800 toneladas por ano até 2027.

Maria Cecília Zenezokemaero, da etnia Haliti-Paresi, cursava medicina quando visitou uma lavoura mecanizada no território do seu povo e decidiu trocar de curso. Formada pelo Instituto Federal de Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis, foi a primeira mulher da aldeia com diploma de engenheira agrônoma e hoje presta assistência técnica a lavouras de algodão. Segundo a Forbes, os Paresi cultivam 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim em cerca de 1% de suas terras, com a renda dividida por igual entre as famílias. O licenciamento ambiental dessas lavouras, uma das bandeiras dela, saiu em outubro de 2025. “Você tendo autonomia e economia, é bem visto em qualquer lugar”, disse à revista.

Carmen Perez é a única mato-grossense que também estava na lista de 2021. Paulista, mudou-se para Mato Grosso aos 22 anos e transformou a Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana, em vitrine do bem-estar animal. Na última temporada, a mortalidade de bezerros na propriedade caiu de 14% para 1,6%, com treinamento da equipe e metas ligadas a bônus. Ela aboliu a marcação a ferro do rebanho em 2016 e criou um curso para levar o método a outras fazendas.

Geni Caline Schenkel fundou o Agroligadas em 2018, em Campo Verde, a partir de um grupo de WhatsApp com cerca de 50 mulheres. A motivação veio de informações sobre o agro que ela considerou distorcidas no livro didático da filha. O movimento leva estudantes, professores e consumidores para dentro das propriedades e reúne hoje cerca de 3 mil mulheres em 100 cidades de 24 estados. Geni também integra a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Belisa Souza Maggi, neta dos fundadores André e Lucia Maggi, preside desde 2018 o conselho curador da Fundação Amaggi, braço social do grupo. A fundação foi criada em 1997 em Sapezal e hoje está em 67 municípios de nove estados. Belisa é acionista do grupo e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora, empresa da família.

Natália Martins deixou a advocacia e voltou para a Fazenda Camparino, em Cáceres, onde cuida da gestão financeira e comercial. Sexta geração de uma família de pecuaristas, divide com o irmão a sucessão do avô, o selecionador José Humberto Vilela Martins, o Zé Humberto, referência na genética Nelore, que morreu em agosto, aos 84 anos.

Mato Grosso aparece também na trajetória de outras escolhidas. A economista Cíntia Ticianeli, hoje vice-presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, assumiu aos 20 anos a direção da destilaria da família em Mato Grosso. A pecuarista Mônica Marchett, diretora da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, levou o grupo familiar para o campo depois que o pai se mudou para Rondonópolis. No perfil da pesquisadora Nair Helena Castro Arriel, da Embrapa Algodão, a revista registra que o estado plantou 400 mil dos cerca de 570 mil hectares de gergelim do país na safra 2025/26.

A primeira edição da lista saiu em 2021. Nos anos seguintes, a Forbes publicou recortes sobre grupos de mulheres do agro, cientistas, brasileiras que atuam no exterior e a geração Z no setor. A homenageada desta edição é a engenheira agrônoma Odette Halfen Teixeira Liberal, de 99 anos, fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes.

Comente esta notícia

65 99690-6990 65 99249-7359

[email protected]