Seis mulheres que atuam em Mato Grosso estão na segunda edição da Lista Forbes As 100 Mulheres Poderosas do Agro, divulgada pela Forbes Brasil na quinta-feira (15), Dia Internacional da Mulher Rural. São elas a presidente da Fundação Amaggi, Belisa Souza Maggi, a pecuarista Carmen Perez, a fundadora do movimento Agroligadas, Geni Caline Schenkel, a engenheira agrônoma Maria Cecília Zenezokemaero, a pecuarista Natália Martins, de Cáceres, e a liderança indígena Neiriane Taerik, de Brasnorte. A revista afirma que escolheu os nomes por três critérios: poder de decisão sobre recursos e negócios, impacto nas cadeias produtivas e capacidade de mobilizar outras pessoas.
Neiriane é a mais jovem do grupo mato-grossense. Aos 26 anos, tornou-se a primeira mulher a presidir a Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho, que reúne 12 aldeias Rikbaktsa na Terra Indígena Erikpatsa, no noroeste do estado. Um grupo de 16 mulheres beneficia e vende castanha-do-pará e comercializou 2,5 toneladas entre 2024 e 2025. O trabalho faz parte de um projeto de bioeconomia que pretende chegar a 800 toneladas por ano até 2027.
Maria Cecília Zenezokemaero, da etnia Haliti-Paresi, cursava medicina quando visitou uma lavoura mecanizada no território do seu povo e decidiu trocar de curso. Formada pelo Instituto Federal de Mato Grosso, em Campo Novo do Parecis, foi a primeira mulher da aldeia com diploma de engenheira agrônoma e hoje presta assistência técnica a lavouras de algodão. Segundo a Forbes, os Paresi cultivam 17 mil hectares de soja, milho, feijão e gergelim em cerca de 1% de suas terras, com a renda dividida por igual entre as famílias. O licenciamento ambiental dessas lavouras, uma das bandeiras dela, saiu em outubro de 2025. “Você tendo autonomia e economia, é bem visto em qualquer lugar”, disse à revista.
Carmen Perez é a única mato-grossense que também estava na lista de 2021. Paulista, mudou-se para Mato Grosso aos 22 anos e transformou a Fazenda Orvalho das Flores, em Araguaiana, em vitrine do bem-estar animal. Na última temporada, a mortalidade de bezerros na propriedade caiu de 14% para 1,6%, com treinamento da equipe e metas ligadas a bônus. Ela aboliu a marcação a ferro do rebanho em 2016 e criou um curso para levar o método a outras fazendas.
Geni Caline Schenkel fundou o Agroligadas em 2018, em Campo Verde, a partir de um grupo de WhatsApp com cerca de 50 mulheres. A motivação veio de informações sobre o agro que ela considerou distorcidas no livro didático da filha. O movimento leva estudantes, professores e consumidores para dentro das propriedades e reúne hoje cerca de 3 mil mulheres em 100 cidades de 24 estados. Geni também integra a Comissão Nacional das Mulheres do Agro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Belisa Souza Maggi, neta dos fundadores André e Lucia Maggi, preside desde 2018 o conselho curador da Fundação Amaggi, braço social do grupo. A fundação foi criada em 1997 em Sapezal e hoje está em 67 municípios de nove estados. Belisa é acionista do grupo e sócia-administradora da Agropecuária Pirapora, empresa da família.
Natália Martins deixou a advocacia e voltou para a Fazenda Camparino, em Cáceres, onde cuida da gestão financeira e comercial. Sexta geração de uma família de pecuaristas, divide com o irmão a sucessão do avô, o selecionador José Humberto Vilela Martins, o Zé Humberto, referência na genética Nelore, que morreu em agosto, aos 84 anos.
Mato Grosso aparece também na trajetória de outras escolhidas. A economista Cíntia Ticianeli, hoje vice-presidente da Federação das Indústrias do Maranhão, assumiu aos 20 anos a direção da destilaria da família em Mato Grosso. A pecuarista Mônica Marchett, diretora da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil, levou o grupo familiar para o campo depois que o pai se mudou para Rondonópolis. No perfil da pesquisadora Nair Helena Castro Arriel, da Embrapa Algodão, a revista registra que o estado plantou 400 mil dos cerca de 570 mil hectares de gergelim do país na safra 2025/26.
A primeira edição da lista saiu em 2021. Nos anos seguintes, a Forbes publicou recortes sobre grupos de mulheres do agro, cientistas, brasileiras que atuam no exterior e a geração Z no setor. A homenageada desta edição é a engenheira agrônoma Odette Halfen Teixeira Liberal, de 99 anos, fundadora e primeira presidente da Associação Brasileira de Tecnologia de Sementes.







