Mato Grosso, maior produtor agropecuário do país, também lidera o ranking de quem recorre à Justiça para renegociar dívidas no campo. Dados da Serasa Experian mostram que o estado concentrou 135 dos 474 pedidos de recuperação judicial feitos por produtores rurais e empresas do agronegócio no primeiro trimestre de 2026. É quase o dobro de Goiás, segundo colocado com 73 pedidos, e mais que o triplo de Paraná e Mato Grosso do Sul, que aparecem na sequência.
No país, os pedidos cresceram 21,9% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram 389. O salto mais forte veio dos produtores que atuam com CNPJ. Esse grupo fez 196 pedidos no trimestre, alta de 73,5% em um ano, e 137 deles são de sojicultores. A pecuária aparece em seguida, com 42 pedidos.
O movimento contrário ocorreu entre os produtores pessoa física, que somaram 182 pedidos, queda de 6,7%. Já as empresas da cadeia do agronegócio, como revendas, indústrias e prestadoras de serviço, fizeram 96 pedidos, 18,5% a mais que no primeiro trimestre do ano passado.
A Serasa atribui o crescimento ao custo de produção elevado, ao aumento do endividamento e à restrição de crédito, fatores que apertaram o caixa das fazendas. Para o head de Agronegócio da empresa, Marcelo Pimenta, a recuperação judicial deve continuar sendo o último recurso, e a prioridade do produtor tem de ser renegociar e manter o planejamento financeiro. Segundo ele, a tendência para os próximos meses depende da geração de receita e das condições de renegociação.
O levantamento também identificou um padrão de alerta. Os produtores que acabaram pedindo recuperação judicial já apresentavam score de crédito abaixo da média até três anos antes do pedido.
Um ano antes, o estado estava atrás de Goiás. No segundo trimestre de 2025, quando o agro bateu recorde nacional com 565 pedidos, o estado aparecia em segundo lugar, com 73, atrás de Goiás. Outro levantamento, do Monitor RGF-Bizdoc, aponta que Mato Grosso tinha em meados deste ano 196 produtores com CNPJ em recuperação judicial, o maior número do país, à frente do Rio Grande do Sul, com 194.
Os números chegam no mesmo ano em que o governo federal editou a Medida Provisória 1.376, que abre a renegociação de mais de R$ 100 bilhões em dívidas rurais bancárias com prazo de até dez anos. A medida, porém, deixa de fora os débitos com revendas de insumos, fornecedores e tradings, que pesam em boa parte dos processos de recuperação no campo.







