19 de Março de 2026
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Artigos Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08:36 - A | A

Quarta-feira, 07 de Janeiro de 2026, 08h:36 - A | A

Edina Araújo*

Basta de picuinhas entre poderes, VG não aguenta mais um ano perdido

Por Edina Araújo*

O primeiro ano da gestão da prefeita Flávia Moretti e do vice Tião da Zaeli em Várzea Grande termina com um saldo que preocupa — e muito — quem vive e paga impostos na cidade. Em vez de avanços concretos, o que marcou 2025 foi um ambiente político contaminado por brigas constantes, acusações recíprocas, disputas internas e um visível déficit de articulação institucional.

Desde os primeiros meses, a gestão se viu envolvida em conflitos públicos com a Câmara Municipal, especialmente com o presidente do Legislativo, Wanderley Cerqueira. O embate permanente entre Executivo e Legislativo não apenas desgastou politicamente a administração, como paralisou decisões estratégicas e desviou o foco do que realmente importa: a entrega de serviços públicos à população.

Faltou habilidade no trato com os poderes, sobrou vaidade. Faltou experiência administrativa e maturidade política para compreender que governar exige diálogo, construção de consensos e, sobretudo, respeito institucional. O resultado foi um ano de baixa produtividade, marcado por desencontros, improvisos e uma gestão que pareceu mais preocupada em responder a crises políticas do que em planejar a cidade.

Ainda assim, é preciso reconhecer: restam três anos de mandato. Tempo suficiente, em tese, para corrigir rumos, reorganizar a administração e colocar Várzea Grande em ordem. Há quem diga que isso já é praticamente impossível. Mas a política — como a vida — não comporta sentenças definitivas quando ainda existe espaço para mudança. Nada é impossível se houver boa vontade, humildade e, acima de tudo, se a população várzea-grandense for colocada no centro das decisões.

O que menos interessa ao cidadão comum é disputa de poder. Quem mora em Várzea Grande quer aquilo que foi prometido em campanha — e prometido em conjunto. Prefeita e vice caminharam lado a lado pelas ruas, pediram votos juntos e apresentaram um projeto comum. Agora, precisam governar juntos. Nós, contribuintes, merecemos respeito, serviços públicos de qualidade e uma cidade minimamente digna para viver.

O retrato deixado em dezembro é simbólico e alarmante: muito lixo acumulado, mato tomando conta dos bairros, falta d’água — e, quando ela chega, muitas vezes vem suja. Um DAE sem comando, sem planejamento e sem resposta à população. Uma Secretaria de Obras inerte, cujo titular ainda não conseguiu mostrar a que veio. Uma Secretaria de Desenvolvimento Econômico invisível, que não atraiu investimentos e sequer é reconhecida pela população. Uma Secretaria de Saúde marcada por arrogância, distanciamento e uma condução que deixou muito a desejar, tanto na gestão quanto na relação com servidores e usuários do sistema.

A Comunicação institucional, por sua vez, falhou em sua função básica: comunicar. Em vez de informar, esclarecer e aproximar os poderes, acabou contribuindo para aprofundar a desarmonia política e o ruído institucional. Há, inclusive, pastas em que a população sequer sabe se existe secretário nomeado — um sintoma claro de desorganização administrativa.

É preciso dizer com todas as letras: Várzea Grande não pode continuar refém de vaidades, disputas mesquinhas e do velho jogo do “dá cá, toma lá”. A Câmara Municipal tem a obrigação constitucional de propor leis, fiscalizar o Executivo e contribuir para o desenvolvimento do município. Não é aceitável que vereadores critiquem a gestão quando lhes convém, mas, nos bastidores, usufruam de cargos, favores e benesses do Executivo.

Enquanto essa lógica persistir, quem continuará pagando a conta somos nós: os contribuintes e moradores de Várzea Grande.

Fica, portanto, o apelo — e o alerta — à prefeita Flávia Moretti, ao vice Tião da Zaeli e ao presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira: menos picuinhas, menos briga, mais trabalho. Menos discurso, mais entrega. A cidade não suporta mais um ano perdido.

*Edina Araújo é jornalista e diretora do VGNOTICIAS e Fatos de Brasília

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