Por Acir Novaczyk*
Essa é uma das perguntas que mais ouvimos quando o assunto é mioma uterino. E a resposta é simples: não, nem todo mioma precisa ser operado.
Os miomas são tumores benignos do útero e podem se apresentar de maneiras muito diferentes. Há mulheres que convivem com eles sem sintomas importantes e podem apenas ser acompanhadas. Em outros casos, porém, o mioma pode provocar sangramento menstrual intenso, anemia, dor, sensação de peso na pelve ou outras repercussões que levam à necessidade de tratamento.
Mesmo assim, tratamento não é sinônimo de cirurgia. A decisão depende dos sintomas, do tamanho, número e localização dos miomas, da idade da paciente, do desejo de engravidar e de outros aspectos que precisam ser avaliados individualmente.
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Quando existe indicação cirúrgica, surge então uma segunda pergunta: qual cirurgia?
Esse é um ponto fundamental. Não existe uma técnica única para todos os miomas. O planejamento cirúrgico começa pela compreensão detalhada de onde eles estão localizados, suas dimensões e sua relação com a cavidade uterina e outras estruturas.
Hoje, a cirurgia ginecológica minimamente invasiva permite tratar muitos casos por meio da histeroscopia, da laparoscopia ou da cirurgia robótica. Na histeroscopia, determinados miomas relacionados à cavidade uterina podem ser abordados pelo canal vaginal e colo do útero, sem incisões no abdômen.
Na laparoscopia, a cirurgia é realizada por pequenas incisões, com auxílio de uma câmera e instrumentos específicos.
Já na cirurgia robótica, também realizada por pequenas incisões, o cirurgião controla um sistema robótico que proporciona visão ampliada e movimentos precisos dos instrumentos, podendo ser uma opção especialmente útil em procedimentos ginecológicos de maior complexidade.
Em muitos casos, também é possível realizar a miomectomia, retirando os miomas e preservando o útero. Isso é especialmente relevante quando existe desejo reprodutivo, embora a decisão de preservar o útero envolva outros fatores além da intenção de engravidar.
Por isso, mais importante do que perguntar se existe uma técnica “melhor” para operar miomas é entender qual é a melhor técnica para aquela paciente.
A evolução da cirurgia ginecológica trouxe recursos que permitem procedimentos cada vez mais individualizados. Mas a tecnologia não substitui indicação e planejamento. Quando uma cirurgia é necessária, esses dois fatores são tão importantes quanto a própria execução do procedimento.
E quando ela não é necessária, saber que é possível acompanhar ou utilizar outras formas de tratamento também faz parte de uma boa medicina.
*Dr. Acir Novaczyk é cirurgião especialista em cirurgia ginecológica minimamente invasiva (endoscopia ginecológica) em Cuiabá-MT.







