O advogado Paulo Roberto Gomes dos Santos negou ter atropelado Ilmis Dalmis Mendes da Conceição, 71 anos, morta na manhã desta terça-feira (20) após ser atingida por uma Fiat Toro branca na avenida da FEB, em Várzea Grande. Em depoimento prestado à Polícia Civil, ele afirmou que a vítima teria batido lateralmente no veículo e que só percebeu o ocorrido após sentir o impacto do corpo no lado do motorista.
O interrogatório foi conduzido pelo delegado Cristian Cabral, na tarde desta terça, após o advogado ser apresentado preso em flagrante, acusado de homicídio culposo no trânsito e de fuga do local do acidente. Segundo o relato, Paulo Roberto disse que trafegava no sentido Cuiabá–Várzea Grande quando passou mal, abriu a janela do carro e vomitou enquanto o veículo ainda estava em movimento. Nesse momento, afirmou ter visto apenas “um vulto” antes da colisão.
O delegado confrontou a versão com imagens que, segundo a Polícia, mostram a idosa atravessando a via da direita para a esquerda, em direção ao canteiro central, quando foi atingida na faixa esquerda da avenida, a menos de meio metro de concluir a travessia. Paulo Roberto disse não ter visto a vítima antes do impacto e afirmou que não tentou frear nem desviar.
Após a colisão, o advogado não parou no local. Ele alegou que o veículo teria apresentado um problema mecânico que o impedia de virar à direita e que seguiu até um semáforo próximo, onde teria sido abordado por pessoas que, segundo ele, o pressionaram e fizeram ameaças. Por medo de agressões, afirmou que decidiu seguir adiante, fazer o retorno nas proximidades do aeroporto e voltar depois ao local do acidente.
De acordo com o depoimento, o retorno teria ocorrido cerca de três quilômetros depois do ponto do atropelamento. Quando voltou, o advogado disse ter encontrado um tumulto, com ambulância e populares, e que se apresentou a agentes no local, entregando seus documentos à Guarda Municipal. Ele negou intenção de fugir e afirmou que retornou assim que se sentiu seguro.
Questionado sobre a velocidade, Paulo Roberto disse não saber precisar, estimando algo entre 60 e 70 km/h. Ele também afirmou não ter consumido álcool ou drogas, mas relatou o uso recente de uma injeção para tratamento de diabetes e obesidade, que, segundo ele, pode ter provocado o mal-estar e o vômito pouco antes do acidente.
Durante o interrogatório, o delegado destacou que, em situações de sinistro de trânsito, a legislação obriga o condutor a parar imediatamente no local para preservar as evidências. O delegado também afirmou que não houve registro de tumulto ou agressões contra o motorista no local e que testemunhas relataram comportamento normal das pessoas que pararam para prestar socorro.
Em um dos momentos finais do depoimento, Paulo Roberto demonstrou abalo emocional e disse acreditar que pode ter contribuído para a morte da idosa, embora tenha insistido que não teve intenção de causar o atropelamento. Ele afirmou que pretende ajudar a família da vítima.
Ao fim do interrogatório, o delegado informou que, devido à soma das penas previstas para os crimes imputados, não foi arbitrada fiança na esfera policial. O advogado permanecerá custodiado até a realização da audiência de custódia, quando um juiz decidirá sobre a concessão ou não de liberdade provisória.
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