O anúncio da realização da ExpoVG, com shows nacionais em maio, acirrou o debate sobre as prioridades da gestão da prefeita Flávia Moretti (PL) durante a sessão da Câmara de Várzea Grande nesta terça-feira (10). A divulgação do evento foi feita em plenário pelo vereador Adilsinho, mas acabou contrastando com críticas de parlamentares que, na mesma sessão, apontaram falta de água, deficiência na saúde e problemas de infraestrutura em vários bairros da cidade.
Ao usar a tribuna, Adilsinho informou que a exposição será realizada no mês de maio com apoio do deputado Fabinho (Podemos) e da prefeita. “No mês de maio acontecerá a ExpoVG com três shows nacionais”, anunciou. Em seguida, detalhou a programação prevista, com apresentações de Natanzinho, Lauana Prado, Maiara e Maraisa, além de atrações regionais ligadas ao lambadão.
O anúncio, no entanto, ocorreu em meio a uma sessão marcada por queixas sobre a situação dos serviços públicos. Pouco antes, o vereador Wender Madureira havia feito duras cobranças à gestão municipal, principalmente na saúde e no abastecimento de água. “Várzea Grande é a segunda maior cidade do estado de Mato Grosso e aqui tá faltando o básico”, afirmou.
Na mesma fala, Wender criticou a prioridade dada a eventos enquanto moradores enfrentam dificuldades no dia a dia. “Ainda quer trazer um show milionário aqui. Como que as pessoas vai ir para esse show tomar banho, prefeita?”, disse. Em outro trecho, reforçou: “Tem que agora dar o básico para as pessoas para depois ir pro show”.
A crítica do parlamentar reuniu reclamações que já vinham sendo feitas ao longo da sessão. Ele relatou falta de remédio na UPA do Ipase, cobrou convocação de profissionais da saúde e voltou a citar bairros sem água. “Não tem água nem para poder escovar dente”, afirmou ao comentar os problemas enfrentados pela população.
O contraste entre o anúncio da ExpoVG e as cobranças por serviços essenciais deu tom político ao debate. Enquanto um grupo de vereadores tratou o evento como ação cultural e de valorização do município, outro usou a tribuna para questionar se a Prefeitura está priorizando a vitrine política em vez das necessidades mais urgentes da população.
A discussão ganha peso porque toca em duas frentes sensíveis para a administração municipal. De um lado, a realização de um evento com artistas nacionais pode ser apresentada como ação de estímulo à cultura e ao entretenimento. De outro, a oposição tenta explorar o desgaste provocado por falhas em áreas básicas, como saúde, infraestrutura e abastecimento.
Na prática, a ExpoVG passou a simbolizar, dentro da sessão, uma disputa maior sobre o rumo da gestão. O anúncio do evento, que poderia ter sido apenas informativo, acabou virando combustível para críticas mais amplas ao governo municipal e para o discurso de que a Prefeitura precisa resolver primeiro os problemas cotidianos da cidade.









