24 de Outubro de 2026
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Cidades Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026, 16:49 - A | A

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CRISE NO AGRONEGÓCIO

Família de produtores de MT entra em recuperação judicial com dívida de quase R$ 130 milhões

O Grupo Buuron atribui a crise a quebras climáticas nas safras de 2023 a 2025 e aos juros altos. Caixa e Sicoob Primavera concentram mais da metade do passivo

Rojane Marta/Fatos de MT

Ilustração/Canva

 produtores rurais, agronegócio

Quatro produtores rurais da família Buuron, de Canarana, no Vale do Araguaia, conseguiram na Justiça a abertura de recuperação judicial para renegociar dívidas de R$ 129.831.117,79. O pedido do Grupo Buuron, formado por Osmar Buuron, Maria Terezinha Buuron, Luiz Carlos Buuron e Priscilla Marilaak Reyes da Silva Buuron, além das firmas individuais registradas em nome de cada um, foi aceito pela Vara Regionalizada de Recuperação Judicial e Falência de Rondonópolis. O edital com a relação de credores foi publicado no Diário Oficial desta sexta-feira (23). O grupo terá 60 dias para apresentar o plano de recuperação, sob pena de falência, e as cobranças das dívidas sujeitas ao processo ficam suspensas por 180 dias.

O pedido foi apresentado em 24 de julho. Segundo os produtores, a crise financeira decorre de sucessivos problemas climáticos que afetaram as safras de 2023, 2024 e 2025, agravados pelo aumento dos juros e dos custos de produção. A decisão que autorizou o processamento da recuperação judicial foi proferida em 14 de setembro, com base em laudo de constatação prévia. A análise confirmou o exercício da atividade rural há mais de dois anos e o cumprimento da maior parte das exigências documentais previstas na Lei de Recuperação Judicial, com ressalvas pontuais do perito.

A Justiça autorizou a consolidação processual e substancial, permitindo que os quatro produtores sejam tratados como um único grupo econômico, com ativos e dívidas reunidos em um só plano de recuperação. Durante o período de suspensão, ficam vedadas penhoras, arrestos e buscas e apreensões sobre bens dos produtores por dívidas sujeitas ao processo. O pedido para reconhecer a essencialidade das máquinas e da produção agrícola ainda será analisado, após manifestações do administrador judicial e do Ministério Público.

Do total declarado, R$ 63,6 milhões correspondem a créditos sujeitos à recuperação judicial, enquanto R$ 66,2 milhões são dívidas garantidas por alienação fiduciária, que, em princípio, ficam fora do plano. A relação de credores inclui a Caixa Econômica Federal, com R$ 34,5 milhões em operações, e o Sicoob Primavera, com R$ 37 milhões distribuídos em 18 lançamentos, dos quais R$ 23,7 milhões em contratos com alienação fiduciária. Também aparecem a Primacredi Credisis, com R$ 16,1 milhões; o Sicredi Araxingu, com R$ 11,2 milhões; o Santander, com R$ 7,5 milhões; o Banco do Brasil, com R$ 4,4 milhões; e a Agrícola Alvorada, também com R$ 4,4 milhões. Cinco pessoas físicas concentram R$ 11,1 milhões em créditos sem garantia.

A lista também registra R$ 39,6 mil em dívidas trabalhistas com cinco funcionários e R$ 38,5 mil em tributos devidos à Prefeitura de Canarana e ao Estado de Mato Grosso.

A administração judicial ficará sob responsabilidade da Mudih Consultoria, representada por Darbas José Coutinho Filho, nomeado em substituição em 13 de outubro. A remuneração da administradora foi fixada em 3,5% do passivo. Os credores terão 15 dias, contados da publicação do edital, para apresentar habilitações ou divergências sobre os valores relacionados.

 

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