A rede estadual de ensino de Mato Grosso funcionava em junho com 16.630 contratos temporários de professor de educação básica e 11.262 professores efetivos, segundo o lotacionograma do terceiro trimestre publicado nesta segunda-feira (28) pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc) no Diário Oficial. Os temporários somam 59,6% dos vínculos docentes informados, e o percentual sobe para 60,3% quando se incluem os 463 contratos de professores sem habilitação específica. O documento usa como base os dados de 1º de junho de 2026, os mais recentes disponíveis.
A Seduc publicou de uma vez os quadros dos três primeiros trimestres do ano, o que permite ver a evolução. Em dezembro de 2025 havia 10.613 efetivos e 14.870 temporários; em março, 10.783 e 13.116; em junho, 11.262 e 16.630. O número de concursados cresceu 649 no período, mas o de contratos temporários avançou 1.760 entre dezembro e junho. Como o quadro registra vínculos e não pessoas, um mesmo professor com mais de um contrato aparece mais de uma vez, situação comum na rede estadual.
A distância entre o que a lei prevê e o que está preenchido é o dado que mais chama atenção nos quadros. São 18.400 cargos de professor criados e 11.262 ocupados, uma diferença de 7.138 vagas que o Estado cobre com contratação temporária. O mesmo ocorre no apoio administrativo educacional, cargo de nível médio que atende as escolas: 6.400 cargos criados, 5.248 ocupados e 3.594 contratos temporários, ou 40,6% dos vínculos. Entre os técnicos administrativos educacionais, os temporários são 702 contra 2.295 efetivos, quase o dobro do registrado em dezembro, quando eram 378.
Um cargo administrativo da área de desenvolvimento econômico e social, com apenas nove postos criados e três ocupados, aparece com 2.501 contratos temporários em junho, contra 1.381 em dezembro. O documento não explica a função exercida por esses contratados nem em que unidades estão lotados. A Seduc também conta com 13 servidores cedidos por outros órgãos, entre eles três gestores governamentais da Seplag e dois procuradores do Estado em estágio probatório.
O lotacionograma é uma exigência de transparência da gestão de pessoal e traz o retrato da força de trabalho de cada trimestre. Os quadros foram assinados sob a gestão da secretária Flávia Emanuelle de Souza Soares, do governo Otaviano Pivetta (Republicanos). O documento não informa quantos dos temporários atuam em sala de aula nem quantas turmas dependem exclusivamente deles.
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