A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) abriu um procedimento disciplinar para apurar mensagens de cunho racista e misógino atribuídas a estudantes de Economia do campus Cuiabá. Segundo a universidade, a Ouvidoria encaminhou a denúncia nesta segunda-feira (5) à Faculdade de Economia, que já adota as medidas previstas no Regimento Disciplinar do Corpo Discente. O caso corre sob sigilo, e a instituição informou que não vai divulgar nomes, número de envolvidos nem o conteúdo das mensagens.
A denúncia foi feita pelo Centro Acadêmico de Ciências Econômicas (Caeco). Segundo a entidade, três estudantes enviaram áudios, textos e figurinhas com ofensas raciais e ataques contra mulheres em dois grupos de WhatsApp do curso, no sábado (3) e no domingo (4). O caso também foi registrado na Polícia Civil.
De acordo com o boletim de ocorrência, as mensagens começaram durante uma discussão política no grupo de informes administrado pelo próprio centro acadêmico. Os autores foram removidos desse grupo ainda no sábado, mas, segundo o Caeco, continuaram com as manifestações em um grupo geral ligado à atlética do curso e também acabaram excluídos. A entidade acusa a presidente da atlética de ter minimizado o conteúdo e criticou o silêncio de lideranças estudantis que presenciaram os ataques.
Este é o terceiro caso do tipo na UFMT em 2026. Em maio, o Centro Acadêmico de Direito denunciou mensagens em que estudantes planejavam montar uma lista classificando calouras como "estupráveis". Na época, a universidade informou que acompanhava casos envolvendo alunos de Direito e de Engenharia Civil, com base em uma resolução do Conselho Universitário de 2025. Um estudante foi afastado de forma cautelar das atividades presenciais e passou a estudar em regime domiciliar enquanto o caso era apurado.
A nota divulgada nesta segunda-feira não menciona afastamento nem outra medida cautelar. Segundo a UFMT, a apuração seguirá as regras internas e pode incluir a criação de uma comissão para analisar os fatos, com direito de defesa aos envolvidos.
Na esfera criminal, ofensas motivadas por raça ou cor podem ser enquadradas como racismo ou injúria racial, crimes que desde 2023 têm a mesma pena, de dois a cinco anos de reclusão, e não prescrevem. A apuração policial corre separadamente do procedimento da universidade.
Na nota, a UFMT afirmou manter o compromisso com o respeito à diversidade e com um ambiente universitário livre de discriminação e violência
Confira as últimas notícias do Fatos (CLIQUE AQUI)







