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“Eu me senti frustrado de não ter conseguido salvar”: comandante fala após morte de mãe e bebê
O comandante do 23º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Brito, publicou um vídeo em que pede às mulheres que não subestimem ameaças feitas por companheiros e que acionem a polícia antes que a agressão comece. A gravação foi feita depois do assassinato de Taymilla Reis da Silva, de 23 anos, e de seu filho de 4 meses, mortos a facadas na quinta-feira (17) em uma propriedade rural de Luciara, a mais de mil quilômetros de Cuiabá. O companheiro dela, de 29 anos, foi preso.
"Eu peço, minhas amigas, que não desacreditem nas ameaças proferidas pelos seus namorados, seus parceiros, seus maridos, pois eles podem e irão, em algum momento, cumprir o que eles estão dizendo", afirmou o oficial, que tem mais de 18 anos de serviço e responde pelo policiamento no nordeste do estado.
A distância pesou no atendimento. Segundo o comandante, a ocorrência aconteceu a 80 quilômetros da unidade policial mais próxima. O irmão da vítima, de 18 anos, presenciou parte da agressão, saiu de motocicleta e foi pedir ajuda em Porto Alegre do Norte. Quando as equipes chegaram, mãe e filho já estavam mortos. O suspeito foi encontrado dormindo em uma das casas da fazenda, preso e entregue à Polícia Civil.
"Eu me senti frustrado de não ter conseguido salvar a vida dessa mulher e dessa criança", disse Brito no vídeo. Ele pede que a chamada à polícia seja feita antes do agravamento da situação, porque o agressor costuma cortar os meios de contato da vítima. "Antes que ele tome seu celular, quebre ele, esconda, proíba você de contato com outras pessoas", afirmou.
De acordo com a investigação, Taymilla telefonou para a mãe antes do crime e disse que o companheiro pretendia matá-la. Foi esse telefonema que levou o irmão até a fazenda. O caso está sob responsabilidade da Polícia Civil, que apura a motivação e analisa imagens de câmeras de segurança da propriedade. A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local, e os laudos devem esclarecer as circunstâncias das mortes. O suspeito segue preso à disposição da Justiça e nega envolvimento.
Em Mato Grosso, denúncias de violência doméstica podem ser feitas pelo 190, em casos de emergência, e pelo 180, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas e aceita denúncia anônima. A medida protetiva pode ser pedida na delegacia, inclusive pela internet, sem necessidade de advogado.
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