19 de Setembro de 2026
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Cidades Sábado, 05 de Setembro de 2026, 09:14 - A | A

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15 CONTRATOS

Parque Novo Mato Grosso reúne R$ 613 milhões em contratos; autódromo custa R$ 142 milhões

MTPar designou fiscais para quinze contratos de obras do complexo, do autódromo à rede elétrica, e a soma dos valores aparece pela primeira vez reunida num só documento.

Rojane Marta/Fatos de MT

GOVMT

parque novo mato grosso

A MT Participações e Projetos publicou nesta sexta-feira (4), no Diário Oficial do Estado, quinze portarias que designam fiscais titulares e substitutos para contratos de obras do Parque Novo Mato Grosso. Somados, os valores informados nos próprios atos chegam a R$ 613.078.704,83, segundo cálculo feito pela reportagem a partir das cifras de cada portaria. Os documentos foram assinados em 3 de setembro pelo diretor-presidente da estatal, Wener Santos.

O maior contrato da lista é o do Complexo Autódromo, firmado em 2025 com o Consórcio Parque Novo Mato Grosso, no valor de R$ 142.026.889,99. Em seguida aparecem o Complexo Cultural da Praça da Família, com dois museus, praça de alimentação e mirante, contratado por R$ 84.988.929,04 com a Lotufo Engenharia, e o Agroplace, contratado com a Salver Construtora por R$ 68.401.546,46.

Outras quatro obras têm contratos próximos ou superiores a R$ 50 milhões. A cobertura do Espaço Show custa R$ 58.275.686,10, também com a Lotufo. A construção do próprio Espaço Show foi contratada por R$ 58.252.880,40, e o Complexo do Kartódromo, por R$ 56.178.972,51, ambos com a Jota Ele Construções Civis. O Eixo Central e a Praça da Família foram contratados por R$ 47.476.923,07, também com a Jota Ele.

Cinco dos quinze contratos estão com a Jota Ele, que responde por R$ 203,7 milhões, ou 33,2% do total. A Lotufo tem dois contratos que somam R$ 143,3 milhões. Considerado ainda o contrato de R$ 142 milhões do autódromo, as contratações somam R$ 489 milhões, quase 80% do valor informado nas portarias. Os percentuais foram calculados pela reportagem.

A Guaxe Construtora tem contrato de R$ 24.820.311,60 para revestimento asfáltico, drenagem e calçamento. A Construtora Nhambiquaras ficou com a extensão da rede elétrica, por R$ 9.560.614,61. A Gaspar Máquinas e Bombas instala o sistema de irrigação automática, por R$ 8.474.829,65. A Gmieski & Santos executa a cenografia da árvore da vida, por R$ 6.006.511,14. A Built Up Engenharia fornece as estruturas pré-moldadas da Rua das Artes, por R$ 5.367.043,01, e a Conenge instala conjuntos de bombeadores elétricos, por R$ 1.464.972,15. O maior contrato tem valor 97 vezes superior ao menor.

Um dia antes das novas designações, a estatal revogou a portaria que mantinha uma coordenação específica para a fiscalização das obras. O ato de 2 de setembro, assinado pela diretora-presidente em substituição legal, Leone Stefany Galvão Silva, retirou Paula Janayna Fenerich da função de coordenadora de fiscalização das obras do parque, para a qual havia sido designada em julho de 2025. A portaria não informa o motivo da mudança.

A fiscalização dos quinze contratos foi distribuída entre seis servidores, que se revezam nas funções de titular e substituto. Fernando Rafael Castaldelli Santana aparece em oito das portarias. Como fiscal titular, responde por quatro contratos que somam R$ 330,6 milhões, o equivalente a 53,9% do valor total identificado, conforme cálculo da reportagem.

Os contratos foram assinados entre 2023 e 2026 e abrangem obras em diferentes estágios. As duas contratações mais antigas, ambas com a Jota Ele, tratam do Espaço Show e da construção de calçadas nas avenidas internas do parque, esta no valor de R$ 8.427.447,23. Entre as contratações mais recentes estão as do autódromo, do Agroplace e da Rua das Artes.

Construído em uma área de cerca de 300 hectares às margens da MT-251, na saída de Cuiabá para Chapada dos Guimarães, o parque foi anunciado com previsão de R$ 900 milhões em investimentos e conclusão até o fim de 2026. Os R$ 613 milhões identificados nas quinze portarias correspondem a 68% desse valor, sem incluir terraplanagem, projetos e outras contratações anteriores que não constam dos atos publicados nesta sexta-feira. O autódromo foi inaugurado em novembro de 2025 com uma etapa da Stock Car e passou a receber provas do calendário nacional de automobilismo.

Três contratos de 2025 relacionados ao autódromo, que somam R$ 208,1 milhões, são analisados pelo Tribunal de Contas do Estado. Em julho, o conselheiro Guilherme Antonio Maluf admitiu denúncia recebida pela Ouvidoria do órgão com alegações de fraude em licitação, conflito de interesses e sobrepreço. O processo foi encaminhado à Secretaria de Controle Externo de Obras e Infraestrutura para instrução. O conselheiro negou pedido de suspensão dos pagamentos por não identificar risco imediato aos cofres públicos.

Em defesa apresentada ao tribunal, a MTPar sustentou que o custo aumentou porque o projeto deixou de contemplar apenas um autódromo e passou a incluir centro de eventos, museus e parque aquático, além dos efeitos da inflação no período. As acusações apresentadas na denúncia ainda não foram julgadas.

Em outro processo, em abril, a equipe técnica do TCE apontou cláusulas em desacordo com a legislação em um edital de R$ 9,1 milhões para obras do Complexo Sunset II e recomendou a suspensão do certame. Notificado, Wener Santos respondeu que as exigências estavam amparadas na Lei das Estatais e no regulamento interno da empresa. A justificativa técnica foi considerada suficiente.

 

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