A Segunda Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso concedeu, por unanimidade, habeas corpus e substituiu a prisão preventiva de Ingride Fontinelles Morais por prisão domiciliar. Conhecida como “Mulher do Buchudo”, ela responde a ação penal por organização criminosa e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Follow The Money. A decisão foi proferida em 3 de fevereiro de 2026.
O colegiado entendeu que a manutenção da prisão imporia ônus desproporcional às duas filhas da acusada, de 5 e 2 anos, que se encontram em situação de completo desamparo familiar. Relator do caso, o desembargador Rui Ramos Ribeiro destacou que a medida violaria o princípio da intranscendência da pena, segundo o qual a punição não pode ultrapassar a pessoa do acusado.
De acordo com o acórdão, Ingride é a única responsável legal pelas crianças. O pai está preso, a avó materna também se encontra privada de liberdade, uma tia está foragida e a avó paterna, por ser idosa, não possui condições de assumir os cuidados das netas. Para os magistrados, a inexistência de rede de apoio familiar impõe a aplicação da regra prevista no artigo 318, inciso V, do Código de Processo Penal.
A Câmara considerou ainda que os crimes imputados à acusada não envolvem violência ou grave ameaça, circunstância que reforça a possibilidade de substituição da prisão preventiva por domiciliar. A decisão também se fundamenta no dever constitucional de proteção integral à criança e ao adolescente e no entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria.
Conforme o processo, Ingride estava presa desde 3 de agosto de 2025, após ser capturada no Rio de Janeiro. Com a concessão da ordem, ela deverá cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica e outras restrições, sob fiscalização do juízo responsável pela ação penal na comarca de Sinop.
As medidas poderão ser revistas em caso de descumprimento ou alteração da situação familiar que fundamentou a concessão do benefício.
Ingride Fontinelles Morais foi presa juntamente com Priscila Moreira Janis, conhecida como “Mana Isa”, durante uma operação realizada em um shopping de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. As duas eram consideradas foragidas há quase dois anos e apontadas como lideranças de uma facção criminosa que atua em Sorriso.
A prisão ocorreu em ação conjunta da Gerência de Combate ao Crime Organizado e da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado da Polícia Civil de Mato Grosso, com apoio da 12ª Delegacia de Polícia de Copacabana. Segundo a Polícia Civil, mesmo foragidas, ambas continuavam a ordenar crimes em Mato Grosso.
As investigações indicam que Priscila assumiu a principal liderança da facção em Sorriso em 2022 e que sua atuação teria provocado uma ruptura interna, resultando na criação de um grupo rival e em uma sequência de homicídios na cidade. Ingride foi presa por organização criminosa e tráfico de drogas, enquanto Priscila responde por organização criminosa e homicídio.





