Quatorze candidatos de Mato Grosso nas eleições de 4 de outubro têm autos de infração ambiental lavrados pelo Ibama em seu CPF, segundo cruzamento da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (Ascema Nacional) com a base de candidaturas do TSE. A lista inclui o candidato a governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o candidato ao Senado Antonio Galvan (Avante), três candidatos a deputado federal, sete a deputado estadual e dois primeiros suplentes de senador. Juntos, respondem por 37 autos e R$ 7.049.984,50 em multas registradas, valores nominais na data da autuação, sem correção e sem informação sobre pagamento, recurso ou prescrição. Os dados constam da planilha pública divulgada pela associação e conferidos pela reportagem.
O maior valor está em nome de Galvan, ex-presidente da Aprosoja e candidato ao Senado. Dois autos lavrados em 2022 em Vera somam R$ 1.561.000: um de R$ 1.510.500 por fazer funcionar aeródromo civil particular para operação com produtos de defesa agropecuária sem licença ambiental, e outro de R$ 50.500 por armazenar combustível sem licença.
Fernando Gorgen (Podemos), candidato a deputado federal, acumula quatro autos e R$ 1.460.000. Três foram lavrados em Querência: R$ 700 mil por destruir 139,92 hectares de vegetação nativa em 2012, R$ 215 mil por desmatar 42,31 hectares de floresta amazônica no mesmo ano e R$ 95 mil, em 2018, por apresentar autorização de desmate falsa em sistema oficial. O quarto, de R$ 450 mil, é de 2024, em Pium (TO), por impedir a regeneração de 44,8 hectares de reserva legal.
Ondanir Bortolini (Republicanos), candidato a deputado estadual, tem cinco autos de 2007, todos no Pará, nos municípios de Novo Progresso e Novo Repartimento, somando R$ 1.296.794,50. Os maiores são por destruir 402 hectares de floresta amazônica na Fazenda Três Irmãos (R$ 603.015) e por provocar incêndio em 387 hectares de floresta nativa na mesma propriedade (R$ 581.745).
Francisco Guarnieri de Lima (PSDB), candidato a deputado estadual, responde pelo auto mais recente de valor alto: R$ 970 mil, lavrado em novembro de 2024, por destruir 193,92 hectares de floresta nativa do bioma amazônico em Barra do Bugres.
Abmael Borges da Silveira (PL), candidato a deputado estadual, soma R$ 730.585 em quatro autos, todos em Vila Rica. O principal, de 2005, é de R$ 580.800 por desmatar 387 hectares de floresta nativa sem autorização. Em 2008, recebeu mais R$ 129.785 por corte raso de 26 hectares em reserva legal e R$ 10 mil por construir uma represa. Em janeiro de 2026, já em ano eleitoral, foi autuado em R$ 10 mil por descumprir o embargo de 44,76 hectares na Fazenda Esperança.
José Aparecido dos Santos (PP), primeiro suplente de senador, tem três autos de 2004 em Cuiabá, no total de R$ 470 mil, por desmatar 400 hectares de cerrado denso, queimar a área sem autorização e derrubar 20 hectares de mata às margens de um córrego. Valmir Luiz Moretto (Republicanos), candidato a deputado estadual, foi autuado em 2002 em R$ 205 mil, sendo R$ 200 mil por armazenar 400 metros cúbicos de madeira serrada, entre elas mogno e cerejeira, e R$ 5 mil por comercializar produtos florestais sem registro no Ibama. Paulo Alves Palhano (Republicanos), candidato a deputado estadual, tem um auto de R$ 150.500 por desmatar 150,5 hectares de cerrado na Fazenda Dourados I, em São Félix do Araguaia, em 2012.
Carlos Ernesto Augustin (PSB), primeiro suplente de senador, soma R$ 125.350 em três autos, o maior deles de R$ 120 mil por explorar cerca de 1.200 hectares de cerrado em Itiquira, em 2003. José Eugênio de Paiva (Republicanos), candidato a deputado estadual, tem quatro autos que totalizam R$ 35.050, por funcionar pousada sem licença em Canarana, pescar na piracema no Rio das Mortes e guardar um caititu abatido, em Cocalinho e Nova Nazaré. Nelson Ned Previdente (Podemos), candidato a deputado federal, foi autuado em R$ 25.500 em 2005 por destruir 15 hectares de área de preservação permanente em Alto Taquari. Carlos Avalone Junior (PSDB), candidato a deputado estadual, tem três autos de 1996 e 1998, em Cuiabá e Aripuanã, que somam R$ 11.705, dois deles por desmate e exploração de mogno. Vilmar Rigo (Novo), candidato a deputado federal, soma R$ 8.100 em dois autos em Rondônia, de 1997 e 2002, por desmate em Vilhena e Pimenteiras do Oeste.
O candidato a governador Otaviano Pivetta fecha a lista com o menor valor: dois autos de R$ 200 cada, em 2001 e 2002, em Sinop e Nova Mutum, por não entregar no prazo ao Ibama o relatório mensal de movimentação de lenha.
Nos 37 autos, o status registrado na base do Ibama é "lavrado", o que indica apenas que a autuação foi formalizada. A planilha não informa se as multas foram pagas, reduzidas, convertidas, prescritas ou anuladas na Justiça. A Ascema alerta que o auto de infração abre uma apuração administrativa, com direito a defesa e recurso, e que sua existência não prova crime, não implica condenação nem torna o candidato inelegível. O cruzamento considerou apenas o CPF da pessoa física, de modo que multas aplicadas a empresas das quais os candidatos sejam sócios ficaram de fora, assim como autuações de órgãos estaduais como a Sema.







