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Eleições Sábado, 26 de Setembro de 2026, 18:56 - A | A

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O QUE ELES PROMETEM

De ICMS zero a “Inferno Pantaneiro”: veja o que prometem os candidatos ao Governo de MT

Planos registrados na Justiça Eleitoral vão de conta de luz sem ICMS e carro flex sem IPVA a 60 mil casas populares e presídio de segurança máxima. Choque maior está no dinheiro do Fethab e na RGA

Rojane Marta/Fatos de MT

Montagem Fatos de MT

Candidatos prometem IPVA zero, R$ 200 por mês e presídio de segurança máxima em MT

Candidatos prometem IPVA zero, R$ 200 por mês e presídio de segurança máxima em MT

Zerar o ICMS da conta de luz, acabar com o IPVA de carros flex, pagar R$ 200 por mês a quem ganha até dois salários mínimos, construir 60 mil casas populares e erguer um presídio estadual de segurança máxima batizado de "Inferno Pantaneiro". Essas promessas estão nos planos de governo que os seis candidatos ao Palácio Paiaguás registraram na Justiça Eleitoral: o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o senador Wellington Fagundes (PL), a médica Natasha Slhessarenko (PSD), o publicitário Rafaell Milas (Missão), o policial militar Sargento Laudicério (Agir) e o empresário Mauricio Coelho (Mobiliza). Os documentos coincidem no diagnóstico sobre fila da saúde, crime organizado e pontes de madeira. Divergem quando precisam dizer de onde sai o dinheiro e para quem ele vai. O primeiro turno é em 4 de outubro.

O Fundo Estadual de Transporte e Habitação (Fethab) aparece em três planos com três destinos diferentes. Mauricio Coelho quer reverter a decisão do atual governo de não reeditar o Fethab 2 em 2027. Segundo o plano do Mobiliza, a medida foi anunciada em abril de 2026 a pedido da Famato e do Fórum Agro MT. Coelho quer usar os cerca de R$ 2 bilhões anuais da contribuição para pagar em parcela única a Revisão Geral Anual (RGA) atrasada dos servidores. Rafaell Milas propõe o caminho inverso: proibir em lei que o dinheiro do fundo pague folha ou custeio e reservá-lo a obras de infraestrutura e às contraprestações de parcerias público-privadas. Wellington Fagundes quer voltar a aplicar os recursos do Fethab em moradia popular.

Servidor no meio da disputa

A RGA é o assunto em que as posições estão mais distantes. Coelho e Sargento Laudicério partem do mesmo número: a perda salarial de 19,52% acumulada entre 2017 e 2025, calculada pelo Dieese. Laudicério desconta o índice extra de 1,14% pago em 2025, trabalha com um saldo de 18,38% e promete negociar um cronograma de pagamento em mesa permanente com as entidades, dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal. Coelho sustenta que dinheiro não falta: o plano diz que o Estado gasta 37,78% da receita corrente líquida com pessoal, abaixo do limite de alerta de 44,10%, o que deixaria R$ 2,5 bilhões de folga.

O plano de Pivetta apresenta outra conta. Segundo o documento, os servidores tiveram reajuste acumulado de 33% desde 2019, acima da média nacional de 25,3% e dos 27% concedidos pela União. Para o próximo mandato, o compromisso é assegurar a RGA anual "observadas as condições legais e orçamentárias", manter o pagamento da folha em dia e conservar o 14º e o 15º salários pagos aos profissionais da educação que atingem metas. Wellington promete regularizar a RGA com um cronograma de quitação do passivo acumulado, sem citar percentual. Natasha propõe uma mesa permanente de negociação e o cumprimento do piso do magistério em toda a carreira, com remuneração proporcional também para os professores com contrato temporário.

O consignado dos servidores também opõe os candidatos. O plano de Coelho afirma que 60 mil servidores estão endividados, com contratos de empréstimo registrados como cartão de crédito a juros de até 5,5% ao mês. Ele critica a proposta do atual governo de usar R$ 200 milhões do MTPrev para comprar dívidas de até R$ 20 mil e propõe um fundo com dinheiro de parceria internacional para comprar 100% da dívida regular, em até 120 meses. No exemplo do plano, uma parcela de R$ 1.000 cairia para cerca de R$ 280. Laudicério promete apoio ao servidor superendividado "sem uso temerário de recursos previdenciários". Coelho também quer acabar com o desconto previdenciário de 14% cobrado de aposentados e pensionistas e cobrir a perda com R$ 650 milhões anuais do Tesouro.

Quem paga a conta

Coelho é o candidato que mais mexe na arrecadação. O plano parte de uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado segundo a qual Mato Grosso abre mão de R$ 15 bilhões por ano em incentivos fiscais, metade concentrada em 30 empresas, e promete cortar R$ 10 bilhões dessas renúncias. Com esse dinheiro viriam a conta de luz sem ICMS, com redução de 17% e custo de R$ 1 bilhão por ano, e o IPVA zero para carros flex, ao custo de R$ 1,8 bilhão. As prefeituras seriam compensadas pela metade do IPVA que lhes cabe. Viria também o Cartão Trabalho, crédito de R$ 200 mensais para uso no comércio do município onde o trabalhador atua, com custo líquido estimado em R$ 1,75 bilhão. O plano prevê ainda um fundo soberano de R$ 500 milhões anuais para investir em empresas de software, cujo lucro viraria uma segunda aposentadoria para idosos com 25 anos de trabalho no Estado. Somadas as sete medidas para as quais o plano indica valor anual, a conta chega a cerca de R$ 7 bilhões.

Os demais tratam os incentivos com mais cautela. Natasha lembra que os benefícios de ICMS deixam de existir entre 2029 e 2033, com a reforma tributária, e propõe preparar um modelo de atração de investimento baseado em crédito, logística e mão de obra. Promete ainda devolver ICMS às famílias do Cadastro Único com renda de até três salários mínimos. Rafaell Milas quer unificar as regras do Prodeic e garantir estabilidade por dez anos, sem revisões retroativas, sempre condicionando o benefício à geração de emprego. Pivetta promete manter o Prodeic, o Proder e o Proalmat atrelados a emprego e processamento local, conservar a nota A de capacidade de pagamento no Tesouro Nacional e enfrentar a transição para o novo imposto sem aumentar a carga. Wellington quer um sistema para medir o resultado dos incentivos e o programa "Fisco Amigo", que dá prioridade no atendimento e agilidade nas certidões para quem paga em dia.

Laudicério propõe o programa Recomeço Veicular: um desconto temporário no IPVA de 2027 para pessoa física, restrito a um veículo por CPF e a carros de menor valor, além do parcelamento de dívidas antigas do imposto com redução de juros e multa. O próprio plano condiciona a medida a um estudo de impacto a ser feito nos primeiros 100 dias. Natasha e Milas coincidem em um ponto: os dois propõem reservar ao menos 15% da receita corrente líquida para investimento.

Fila da saúde

Todos prometem reduzir a espera por consulta, exame e cirurgia, cada um com um instrumento diferente. Pivetta aposta na rede que o governo construiu: concluir os hospitais regionais de Juína, Confresa e Tangará da Serra, abrir a segunda fase do Hospital Central e implantar oito centros regionais de diagnóstico, em Cáceres, Alta Floresta, Tangará da Serra, Juína, Confresa, Água Boa, Ribeirão Cascalheira e no próprio Hospital Central. O plano também lista projetos de pronto-socorro em Várzea Grande, Barra do Garças, Rondonópolis e Pontes e Lacerda, além de cobertura total do atendimento pré-hospitalar móvel até 2028.

Natasha e Milas prometem uma fila única estadual aberta à consulta do paciente. A candidata do PSD quer que o cidadão acompanhe sua posição por aplicativo e que o tempo de espera vire meta de governo. Também propõe especialistas em rodízio nas unidades básicas, mais centros de diálise e novas unidades públicas de oncologia fora de Cuiabá, Rondonópolis e Sinop. Milas fixa prazo de 180 dias para colocar a fila no ar e meta de reduzir em 45% a espera por exames de alta complexidade. Wellington propõe um centro de transplantes no Hospital Central, hospitais universitários em Sinop e Rondonópolis e uma central de laudos a distância. Coelho quer zerar as cirurgias eletivas com espera acima de 90 dias e inverter a lógica dos contratos com organizações sociais, hoje com 90% de pagamento fixo e 10% variável segundo o plano, para que a maior parte dependa do atendimento entregue.

Presídio, polícia e facção

Milas promete o presídio estadual de segurança máxima que chama de "Inferno Pantaneiro", com celas individuais e bloqueio total de comunicação. Fixa ainda duas metas: 80% dos presos condenados trabalhando e redução de 55% nas mortes violentas intencionais nas regiões prioritárias. Pivetta quer levar ao interior módulos de segurança máxima nos moldes do Raio 8 da Penitenciária Central, instalar bloqueadores de sinal nas principais unidades, construir galpões industriais nas penitenciárias para que todos os presos aptos trabalhem, criar um Batalhão Rural na PM e oferecer delegacia virtual com delegado 24 horas nos 142 municípios. Wellington propõe ampliar as bases do Gefron na fronteira com a Bolívia, levar o videomonitoramento a todos os municípios e usar scanners corporais e sistemas antidrones nas cadeias.

Natasha vai na direção oposta à construção de presídios. O plano afirma que a Politec tem mais de 10 mil perícias sem laudo e 79 peritos, contra os 127 considerados necessários desde 2003. Promete concurso para o órgão, mutirões para rever a situação de presos provisórios e penas alternativas para crimes sem violência, com novas vagas apenas onde a superlotação persistir. Laudicério, presidente da associação de cabos e soldados da PM e dos Bombeiros, propõe um novo código de ética e disciplina para a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros, em substituição ao regulamento de 1978. Coelho defende avaliar a polícia pelo resultado, sem premiar quantidade de prisões, e reforçar o Bope com drones.

Mulher, escola e moradia

Wellington e Natasha propõem criar uma Secretaria da Mulher com orçamento próprio. O plano de Natasha lembra que Mato Grosso foi o primeiro do país em taxa de feminicídio em 2023 e 2024 e o terceiro em 2025, com 2,7 casos por 100 mil mulheres. Promete casas regionais com delegacia, Defensoria e abrigo funcionando 24 horas, além de acompanhamento dos filhos de vítimas de feminicídio até a vida adulta. Pivetta cita a expansão da Patrulha Maria da Penha de 2 para 41 unidades e o auxílio-moradia de R$ 600 para vítimas com medida protetiva. Promete casas gratuitas para mulheres chefes de família, aumento de 50% na linha de crédito para empreendedoras e mulheres em metade dos cargos de chefia do governo.

Nas escolas militares, as posições vão da expansão ao silêncio. Pivetta fala em até 263 unidades no modelo militar e cívico-militar. Milas quer dobrar as vagas nessas escolas e nas de tempo integral, colocar Mato Grosso entre os cinco melhores do Ideb no ensino médio e pagar bônus às equipes que baterem metas. Wellington condiciona novas unidades a consulta pública, e Laudicério, a demanda comprovada e bons resultados. O plano de Natasha não propõe escolas militares. Promete concurso imediato para professores, reabertura dos centros de educação de jovens e adultos e o compromisso de não fechar escolas do campo por critério administrativo.

Na moradia, Pivetta promete 60 mil casas populares pelo SER Família Habitação. Coelho propõe uma empresa pública de habitação com 10 mil unidades para aluguel em sete cidades-polo, com valores até 60% abaixo do mercado. No exemplo do plano, um apartamento que custa R$ 2.500 no mercado sairia por R$ 1.000.

Estradas, trilhos e desmatamento

Na infraestrutura, a substituição das pontes de madeira por concreto aparece nos planos de Pivetta, Wellington, Natasha e Laudicério. Pivetta promete concluir a primeira ferrovia estadual, entre Rondonópolis, Cuiabá, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde, e seguir com a duplicação da BR-163. Milas quer conceder rodovias estaduais à iniciativa privada para duplicar 400 quilômetros e somar 250 quilômetros de trilhos. Wellington defende estadualizar e pavimentar a BR-242 entre Santiago do Norte e Gaúcha do Norte, acelerar a Fico e a Ferrogrão e viabilizar a hidrovia Paraguai-Paraná a partir de Cáceres. Natasha propõe um inventário público das obras paradas antes de anunciar obra nova e a retomada, com cronograma, da mobilidade entre Cuiabá e Várzea Grande.

Pivetta e Natasha apresentam números opostos sobre o desmatamento. O plano da candidata do PSD afirma que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal com aumento do desmatamento, responsável por mais de um quarto da área derrubada no bioma. O documento de Pivetta registra queda de 87% em relação ao pico de 2004 e redução de 25% nos alertas do Deter em 2025 e 2026, e diz que 93% do desmate de 2025 foi autorizado ou autuado. Natasha promete recompor o orçamento ambiental, que segundo ela é de 0,7% do Executivo. Wellington propõe rever as restrições à pesca profissional e trocar proibições gerais por regras baseadas em estudos técnicos.

Na máquina pública, Milas promete cortar 30% dos cargos comissionados e economizar R$ 300 milhões com a revisão de contratos. Natasha quer obrigar governador, vice e secretários a entregar declaração anual de bens, com a exigência estendida a cônjuges e filhos. Wellington propõe critérios de escolaridade, experiência e probidade para a nomeação de comissionados.

O plano de Pivetta separa o que já está em andamento das ações novas. O de Laudicério informa que as metas numéricas só serão fechadas depois de validação técnica, fiscal e jurídica. O de Coelho é o que mais detalha o custo anual de cada promessa. Se nenhum candidato passar de 50% dos votos válidos em 4 de outubro, os dois mais votados disputam o segundo turno em 25 de outubro.

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