O deputado federal e candidato ao Senado José Medeiros (PL) gravou um vídeo nesta quinta-feira (24) para responder à repercussão do áudio em que diz que seu eleitor "ora pra alienígena e bebe detergente". Ele confirmou a autoria da frase, afirmou que se trata de uma piada antiga e disse que não vai se retratar. "Eu não vou nem pedir desculpa pelo que eu falei", declarou.
Na gravação, Medeiros adota o tom de quem responde por um grupo. "Nós, bolsonaristas, somos rotulados de beber detergente e rezar para o E.T. Mas fazemos mais que isso", diz, antes de listar comportamentos que atribui aos apoiadores: caminhar até Brasília, comer pão com leite condensado e acampar em frente a quartel. Cada item é contraposto a uma crítica a adversários, como participação em evento jurídico em Lisboa e hospedagem em hotéis na Europa com dinheiro público.
O candidato questiona o enquadramento dado ao caso. "A pergunta que precisa ser feita não é se eu disse ou se eu não disse. Eu disse e sou homem para reconhecer", afirmou. Para ele, o que deveria estar em discussão é se o áudio foi editado e se há contra si acusação de corrupção, desvio de verba ou investigação em CPI. Ele nega qualquer irregularidade e trata a divulgação como armação de adversários.
Sem citar nomes, Medeiros faz duas referências diretas a concorrentes. Diz que bolsonarista não vota em quem é filha do "maior ficha suja do Brasil, condenado a 70 anos de prisão", e critica quem teria sido eleito com votos de bolsonaristas e depois se aproximou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As duas afirmações não trazem identificação nem prova, e as pessoas aludidas não foram nomeadas na gravação.
Ele também reivindica apoio da família do ex-presidente. Afirma ser o único candidato ao Senado em Mato Grosso apoiado por Jair Bolsonaro e por quatro integrantes da família, entre eles Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.
O vídeo fecha com nova piada sobre o episódio, em referência a uma marca de detergente.
O áudio começou a circular na segunda-feira (21), a partir de reportagem do colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Em um primeiro trecho, Medeiros diz ao prefeito de Diamantino, Chico Mendes (União), irmão do ministro Gilmar Mendes, que não ataca o Supremo Tribunal Federal e que orientou a equipe de campanha a retirar referências à Corte. Nessa ocasião, ele confirmou a autenticidade da gravação e afirmou que suas falas foram tiradas de contexto. O segundo trecho, com a frase sobre os eleitores, veio a público na terça-feira (22). O primeiro turno é no dia 4 de outubro.







