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Pivetta acusa governo Lula de falta de vontade para combater facções e cobra Exército na fronteira
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) disse neste domingo (25), depois de votar em Lucas do Rio Verde, no Médio-Norte, que vai pedir uma audiência ao próximo presidente da República. Ele quer cobrar que as Forças Armadas assumam a vigilância da fronteira de Mato Grosso com a Bolívia. Segundo Pivetta, o crime organizado avança no país por falta de uma política nacional de combate às facções. No segundo turno da eleição presidencial, disputado entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governador declarou apoio a Flávio e disse acreditar na vitória dele.
“Esses 900 quilômetros são um longo balcão de negócios do crime, que funciona dia e noite”, afirmou Pivetta, ao falar da faixa de fronteira. Para ele, o patrulhamento não é tarefa do Estado. “Quem tem que cuidar dessa fronteira são as Forças Armadas, é o Exército Brasileiro. A União tem que tomar uma decisão de proteger as fronteiras do Brasil. Aliás, as Forças Armadas existem para isso”, disse.
O governador afirmou que vai procurar o presidente eleito, “preferencialmente o novo presidente da República”, logo depois da eleição. “Vou solicitar, em nome do povo de Mato Grosso, que o governo cumpra com uma função básica, elementar das Forças Armadas do Brasil, que é proteger, vigiar e cuidar das fronteiras”, disse. Na avaliação dele, com a União assumindo a divisa, o Estado tem condições de dar conta da segurança no restante do território. “Nós temos capacidade de cuidar e de tornar o Mato Grosso o estado mais seguro do Brasil.”
Pivetta atribuiu o avanço das facções ao governo federal. “As organizações criminosas estão prosperando no Brasil porque não há uma política nacional de combate ao crime organizado. Não há vontade política desse governo atual de promover o combate”, declarou. Segundo ele, Mato Grosso está “indo para cima” das organizações criminosas.
Sobre a eleição presidencial, o governador disse que Mato Grosso tem “uma posição muito clara” e que o Estado deve ficar mais uma vez entre os que mais votam na direita. “Eu acredito na vitória do Flávio. Eu acredito na vitória da esperança”, afirmou. Na primeira rodada, em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro terminou com 47,03% dos votos válidos no país, contra 45,16% de Lula. No mesmo dia, Pivetta foi reeleito governador no primeiro turno, com 60,77% dos votos válidos.
O governador também criticou o peso da União sobre os estados. “Diferente de muitos estados que precisam do Brasil para viver, nós temos autonomia”, disse. “Se a União não atrapalhar, nós vamos prosperar e vamos desenvolver do mesmo jeito.” Pivetta avaliou que o Congresso eleito está preparado para aprovar as reformas política e administrativa. “Brasília tem pesado muito sobre o lombo do nosso povo e não devolve nada, não entrega nada”, afirmou.
Perguntado sobre os planos para o novo mandato, que começa em janeiro de 2027, Pivetta citou um grupo de trabalho montado no governo. Segundo ele, o grupo estuda oportunidades de economia, redução de despesas e o fim de setores estaduais que fazem o mesmo trabalho dos municípios. “Definir claramente as tarefas dos municípios e do Estado, para que o Estado não fique se metendo onde é tarefa dos municípios”, disse. A proposta, segundo o governador, inclui repassar mais recursos às prefeituras na modalidade fundo a fundo, sem convênios, para reduzir a burocracia.
Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos e disse que quer levar o modelo da cidade para todo o Estado. Ele citou a atenção básica em saúde, a educação desde a creche e a atuação da Guarda Municipal, que chamou de “segurança complementar”. Segundo ele, o município registra os menores índices de violência de Mato Grosso. “Lucas é um exemplo para nós copiarmos o que se faz aqui para todo o Estado”, afirmou.
Na economia, o governador disse que a meta é industrializar a produção de grãos em todas as regiões, inclusive em municípios sem agricultura forte. Segundo ele, o entorno de Lucas reúne de 2 milhões a 3 milhões de hectares de lavouras de alta produtividade, que abastecem as indústrias instaladas na cidade, mas nem todos os municípios com essa base conseguiram se industrializar. O programa de verticalização da soja, do milho e do algodão, disse Pivetta, tem o objetivo de “diminuir a pobreza, para que não fique nenhum município para trás”.





