A arquiteta Grazielly Stolarski Lima, alvo de busca e apreensão na segunda fase da Operação Mãos à Obra, é candidata a conselheira titular do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de Mato Grosso (CAU-MT) na eleição desta quinta-feira (5). A operação foi deflagrada na quarta-feira (28) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e investiga suspeita de pagamento de propina a servidores da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop, a cerca de 500 km de Cuiabá, para liberar obras e empreendimentos imobiliários. É nessa secretaria que a candidata diz trabalhar.
No currículo entregue à Comissão Eleitoral do CAU-MT, Grazielly se apresenta como arquiteta da Secretaria Municipal de Planejamento Urbano de Sinop, “com experiência em análise de projetos, fiscalização, vistorias e demandas urbanísticas”. Ela é a terceira titular da lista de conselheiros estaduais da Chapa 1, “CAU Forte, Arquitetura Valorizada”, com registro deferido em outubro. Formada em 2020, informa ter recebido moção de aplausos pela atuação profissional.
Segundo o MPMT, a investigação apura a exigência e o pagamento de vantagens indevidas para acelerar processos, emitir pareceres, aprovar e regularizar projetos e conceder licenças e certificados, além de possíveis interferências em fiscalizações. Os fatos teriam ocorrido entre 2017 e 2026.
A promotora Roberta Cheregati Sanches, da 4ª Promotoria Criminal de Sinop, afirmou que o esquema envolvia uma construtora de um casal e um servidor apontado como líder, que intermediava a propina e a repassava a fiscais para evitar vistorias nos canteiros. De acordo com o Gaeco, só essa empresa teria 106 imóveis em funcionamento na cidade com certidões de habite-se fraudulentas, a maioria quitinetes, e pago pelo menos R$ 2,5 milhões em propina no período.
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Grazielly não está entre os cinco presos preventivamente. A lista de alvos divulgada pelo MPMT a identifica como Grazielly Stolarski Lima ou Grazielly Stolarski Martins, com mandado apenas de busca e apreensão. O Ministério Público não detalhou qual seria a participação dela nos fatos investigados.
Foram presos Fernando Dante Morari, Júlio Henrique Verdu Garcia, Valdinei Monteiro da Silva, Agnaldo Rael da Silva e Débora Alvarenga Nakanishi da Silva. Ao todo, 17 alvos tiveram mandados de busca, entre eles a empresa Dnishi Empreendimentos Imobiliários. A Justiça afastou seis agentes públicos das funções, suspendeu as atividades de uma empresa, bloqueou R$ 80 milhões de um grupo de investigados e determinou o sequestro de até R$ 3 milhões de cada um dos demais. A primeira fase da operação foi realizada em 28 de julho, com três mandados de busca.
O CAU-MT é a autarquia que registra e fiscaliza o exercício profissional de arquitetos e urbanistas no estado. Três chapas disputam a eleição: além da Chapa 1, concorrem a Chapa 2, RenovAção, e a Chapa 3, Gestão Eficiente e Valorização Profissional. A votação é obrigatória para profissionais com registro ativo e ocorre exclusivamente pela internet, das 0h às 23h59 de quinta-feira, com acesso pelo CPF. Os eleitos terão mandato de 1º de janeiro de 2027 a 31 de dezembro de 2029.
O calendário eleitoral permite que qualquer arquiteto registrado apresente denúncia à Comissão Eleitoral até o dia da votação. Pedidos de impugnação do resultado podem ser feitos em 9 de novembro.
O Gaeco informou que as investigações continuam e que as medidas cautelares não significam comprovação de responsabilidade criminal. Os investigados têm direito à ampla defesa e à presunção de inocência.






