A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti (PL), afirmou que a líder comunitária Kelly Daiane Gomes de Souza foi conduzida pela Guarda Municipal após desacatar agentes durante um evento oficial no bairro Costa Verde, na manhã desta quinta-feira (18.12). A prefeita negou ter ordenado a prisão e disse que apenas solicitou, se possível, a liberação da mulher, após a situação se acalmar.
Kelly Daiane foi algemada e colocada em uma viatura da Guarda Municipal de Várzea Grande (GMVG) durante a assinatura da ordem de serviço para a construção de cinco novos reservatórios de água na região. O episódio ocorreu após um desentendimento entre a líder comunitária e o comandante da GMVG, Juliano Lemos. Durante a confusão, a mulher foi puxada e imobilizada na calçada, conforme relatos e vídeos que circularam nas redes sociais.
Segundo Flávia Moretti, Kelly apresentava comportamento alterado desde o início do evento. “Ela ficou o tempo todo do ato falando, se expondo, colocando a expressão dela sobre a gestão. Isso é natural, as pessoas têm o direito de se manifestar”, disse.
A prefeita afirmou que, posteriormente, foi informada de que a mulher teria desacatado guardas municipais e feito ameaças. Questionada sobre o teor das ameaças, Flávia disse que não soube detalhar. “Eu não sei, o comandante só relatou que fez ameaça pessoal”, afirmou.
De acordo com a gestora, o desacato é passível de condução. “Tanto a ameaça quanto o desacato são passíveis de condução quando há desacato de autoridade. Eles são guardas municipais, têm autoridade”, declarou.
Flávia relatou que só tomou conhecimento da condução quando a vereadora Rosy Prado (União) a procurou durante o evento. “Eu estava descerrando a placa da obra. Quando vi, fiz apenas um pedido, se fosse possível, para liberarem ela. Eu não mandei. Eu solicitei”, afirmou. Segundo a prefeita, após a mulher se acalmar, ela foi liberada.
Sobre as críticas de que a ação da Guarda teria sido truculenta, Flávia disse que não cabe a ela avaliar a conduta. “A Guarda Municipal tem corregedoria própria. Se houve exagero, isso vai ser apurado no tempo certo”, disse. Ela afirmou ainda que, se houve desacato, a reação segue o padrão das forças de segurança.
Questionada se será aberto procedimento para apurar a ação dos agentes, a prefeita afirmou que a decisão cabe à própria corporação. “A guarda tem o regimento e o estatuto dela. Eles vão avaliar se precisam apurar ou não”, declarou.
Flávia também disse não considerar que houve excesso de força. “Ela se debatia muito, estava bem alterada. Desde o começo do evento. É uma pessoa que precisa de ajuda”, afirmou, ao relatar que chegou a pedir para a vereadora Rosy Prado tentar acalmá-la.
Ao ser questionada se entendeu o episódio como algo pessoal, a prefeita negou. “Nem Jesus agradou todos na Terra. Quem serei eu?”, disse. Flávia afirmou que não conhecia a mulher e reforçou que não deu ordem de prisão. “Nunca mandei prendê-la. Todo o tempo eu falava para deixarem ela falar”, concluiu.









