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Jurídico Sexta-feira, 06 de Novembro de 2026, 15:58 - A | A

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SHOW “HISTÓRIAS”

Justiça dá 48 horas para Meta entregar stories de Virginia em ação que pede cassação de Mauro

Corregedor deu 48 horas para a plataforma e a Sesp entregarem dados em ação que pede a cassação de Mauro Mendes por suposto showmício na Arena Pantanal

Rojane Marta/Fatos de MT

Assessoria

Casal mendes

O corregedor regional eleitoral de Mato Grosso, desembargador Marcos Machado, deu 48 horas para a Meta entregar os arquivos originais, as métricas e os registros de exclusão de stories publicados pela ex-primeira-dama Virginia Mendes (União) durante o show “Histórias – O Show do Século”, realizado em 26 de setembro na Arena Pantanal, em Cuiabá. O mesmo prazo vale para a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp), que precisa enviar a gravação integral de uma reunião preparatória do evento. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (6) no Diário da Justiça Eletrônico. Ela faz parte da ação de investigação judicial eleitoral em que o ex-governador Pedro Taques (PSB) pede a cassação do senador eleito Mauro Mendes (União), de Virginia e dos dois suplentes da chapa.

As duas ordens repetem pedidos que não foram cumpridos. A Meta foi intimada em 27 de outubro e não apresentou o material. Agora a empresa terá de entregar os arquivos originais de três stories, com metadados, alcance e o fuso horário dos horários informados. Também terá de fazer nova busca no perfil @virginiamendes entre 26 e 28 de setembro, abrangendo stories ativos, expirados, arquivados, destacados e excluídos. Se algum conteúdo tiver sido apagado, a plataforma precisa informar a data, o horário e quem fez a exclusão. Se descumprir a ordem, pagará multa diária de R$ 10 mil.

A lista inclui ainda visualizações, alcance, curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos de publicações anexadas ao processo e do registro de uma entrevista coletiva de 29 de setembro. A Meta também deve preservar e enviar o arquivo original e as métricas de um reel publicado pelo perfil @pautadiariaredacao. Há ainda uma publicação que hoje está indisponível: a empresa precisa dizer qual perfil a publicou, quando foi ao ar, se e quando foi excluída, arquivada ou restringida e por iniciativa de quem.

À Sesp, comandada pela coronel PM Susane Tamanho, o corregedor pediu convocação, pauta, lista de presença, ata e gravação da reunião realizada em 21 de setembro, às 14h30, cinco dias antes do show. A secretaria também deve enviar documentos de outras reuniões ligadas à organização do evento. A Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel), que também tinha sido acionada, cumpriu a ordem na terça-feira (3), às 17h51, ao remeter a cópia do processo administrativo de autorização de uso do estádio.

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Machado justificou a urgência com a audiência de instrução marcada para segunda-feira (9). Na decisão, ele afirma que os documentos foram requisitados para esclarecer “as circunstâncias de organização e realização do evento, bem como divulgação dos conteúdos relacionados aos fatos investigados”. O desembargador também cita o dever de terceiros de colaborar com a Justiça e de exibir documentos que estejam em seu poder.

O show reuniu Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano, Bruno & Marrone e Daniel no estádio do governo estadual, oito dias antes do primeiro turno. A ação foi protocolada em 30 de setembro. Segundo Taques, que também disputou o Senado, o apresentador Cuiabano Lima elogiou a gestão de Mauro Mendes no palco, citou integrantes da chapa e anunciou o número de urna do candidato, dizendo que “domingo que vem é o dia”. O ex-governador aponta abuso de poder político e econômico, realização de showmício, que a lei proíbe, e uso de bem público em benefício da candidatura.

A produtora que organizou o evento, a Ditado Produções, pertence a Elson Ramos de Figueiredo, segundo suplente de Mendes, conforme a petição. O outro suplente, José Aparecido dos Santos, o Cidinho Santos, também é réu. Duas das gravações anexadas por Taques saíram dos stories de Virginia, que disputou vaga de deputada federal.

Mauro Mendes negou ter pedido qualquer manifestação no palco e disse que não participou da fala do apresentador. Taques sustenta que o candidato beneficiado pode ser responsabilizado mesmo sem pedido direto ou autorização prévia. A ação pede a cassação do registro ou do diploma da chapa e a inelegibilidade dos investigados. Mendes foi eleito senador em outubro com 1.187.352 votos.

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