A Câmara Municipal de São José do Rio Claro, a 297 quilômetros de Cuiabá, cassou o mandato do prefeito Levi Ribeiro (PL) na manhã deste sábado (25), após uma sessão que durou mais de 16 horas. Os trabalhos começaram às 15h de sexta-feira (24) e se encerraram às 7h17 de hoje, com a conclusão de processo administrativo que concluiu pela procedência parcial das acusações de infrações político-administrativas. O processo continha mais de mil páginas.
A denúncia foi apresentada pela moradora Audilene Iria de Oliveira, que acusou o prefeito de promover remoções de servidores públicos sem justificativa técnica, com indícios de retaliação por posicionamento político. O processo também registrou acusações de uso de bens públicos — incluindo veículo oficial, drone e servidores municipais — para atividades particulares relacionadas à propriedade rural do gestor. Foram ainda apontados o uso de madeira fora das especificações em obra do Projeto Habitacional Kairós, com emprego de material antigo no lugar de madeira nova, e o pagamento indevido de R$ 41.916,00 em contrato que foi posteriormente ressarcido por meio de Termo de Ajustamento de Conduta.
O relatório final da Comissão Processante nº 001/2026, apresentado pelo vereador Ronney da Saúde (PSD), relator do processo, concluiu pela procedência parcial da denúncia e recomendou a cassação do mandato. Segundo o relator, as provas reunidas ao longo da investigação demonstrariam que a estrutura pública foi utilizada como instrumento de retaliação contra servidores que não apoiaram a reeleição do gestor. Os depoimentos de motoristas foram apontados como elemento central da apuração: as testemunhas afirmaram ter sofrido coação e punições financeiras após as transferências de lotação.
A defesa do prefeito sustentou, durante o processo, que as remoções de servidores foram atos discricionários praticados pelo secretário municipal de Administração e que a posterior anulação das portarias decorreu de vício formal, sem caracterizar infração político-administrativa. Argumentou ainda que as acusações de perseguição se baseariam em percepções subjetivas e relatos indiretos, sem provas concretas capazes de sustentar a imputação.
Siga o instagram do Fatos (CLIQUE AQUI)
Participe do grupo do Fatos (CLIQUE AQUI).
Os argumentos defensivos, no entanto, não foram acolhidos pelo relator, que ao final votou pela procedência parcial da denúncia e pela cassação do mandato de Levi Ribeiro. Com a decisão dos vereadores, o prefeito perde o cargo por infrações político-administrativas. A legislação municipal estabelece os procedimentos para a definição de quem assumirá o comando do Executivo local.









