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Jurídico Quinta-feira, 24 de Setembro de 2026, 15:06 - A | A

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NOVO JÚRI MANTIDO

STJ mantém tornozeleira e novo júri de advogado acusado de tentar matar ex-namorada em Cuiabá

Nauder Junior Alves Andrade queria parar a ação penal e derrubar as medidas cautelares. No mesmo tribunal, um recurso do Ministério Público pode restabelecer a pena de 10 anos a que ele foi condenado em 2025.

Rojane Marta/Fatos de MT

STJ: Foto de Carlos Felippe/STJ - Nauder: Foto Reprodução

Recurso do MP no STJ pode restabelecer pena de 10 anos de advogado de Cuiabá

Recurso do MP no STJ pode restabelecer pena de 10 anos de advogado de Cuiabá

O advogado Nauder Junior Alves Andrade, acusado de tentar matar a ex-namorada a socos, chutes e golpes de barra de ferro em Cuiabá, continua com tornozeleira eletrônica, proibido de se aproximar da vítima e com novo júri marcado para acontecer. O ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou o pedido de liminar para suspender a ação penal, adiar o julgamento e revogar as medidas cautelares. A decisão foi assinada na quarta-feira (23). Nauder, que atua na própria defesa, também pedia a anulação de todo o processo desde a instrução.

"Ao menos em juízo perfunctório, não é possível identificar de plano o constrangimento ilegal", escreveu o ministro. O mérito do recurso só será analisado depois que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) e a 1ª Vara Criminal de Cuiabá enviarem informações e o Ministério Público Federal der parecer.

O pedido do advogado é um dos dois recursos do caso que estão no STJ. O outro é do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e vai na direção oposta. A promotoria quer derrubar a decisão do TJMT que anulou a condenação de Nauder a 10 anos de prisão, imposta pelo Tribunal do Júri em setembro de 2025. Se o STJ der razão ao MP, a pena volta a valer sem necessidade de novo julgamento. Foi justamente a existência desse recurso que o TJMT usou para rejeitar o habeas corpus da defesa. Para a Primeira Câmara Criminal, não cabe ao tribunal estadual "neutralizar efeitos" de uma decisão que já está sob análise do STJ.

A agressão aconteceu em agosto de 2023, no bairro Tancredo Neves, em Cuiabá. Segundo a denúncia do MPMT, a vítima foi atacada com socos, chutes, uma barra de ferro e enforcamento, e conseguiu fugir quando o agressor se distraiu. Nauder foi denunciado por tentativa de feminicídio com três qualificadoras: motivo fútil, uso de recurso que dificultou a defesa da vítima e crime cometido em contexto de violência doméstica contra a mulher.

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No júri, em que atuou como o próprio advogado, ele foi condenado. Em novembro de 2025, a Primeira Câmara Criminal do TJMT anulou o veredicto e mandou o caso a novo júri. O relator, desembargador Wesley Sanchez Lacerda, entendeu que as provas indicavam desistência voluntária, ou seja, que o réu parou a agressão por decisão própria, e não pela reação da vítima ou pela chegada de alguém. "Podia prosseguir, mas não quis", resumiu o acórdão. Pelo Código Penal, quem desiste voluntariamente de um crime responde apenas pelos atos já praticados, o que pode afastar a acusação de tentativa de homicídio.

No recurso ao STJ, Nauder repete essa tese e pede o trancamento da ação quanto à tentativa de homicídio. Ele alega que a vítima admitiu ter causado uma lesão na região genital dele e sustenta que houve cerceamento de defesa porque a perita oficial se recusou a examiná-lo em plenário. Diz ainda que o TJMT se negou a analisar argumentos que não teriam sido discutidos na apelação. Como pedido alternativo, quer que a tornozeleira e a proibição de contato sejam revogadas ou trocadas por medidas mais brandas.

Quando o mandou a júri, em 2023, a juíza responsável pelo caso citou "masculinidade tóxica" e uma tentativa de culpar a vítima ao analisar a versão apresentada pelo réu. Enquanto o STJ não julgar os dois recursos, Nauder responde em liberdade, com as medidas cautelares mantidas, e a data do novo júri segue em aberto.

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