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Polícia Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2026, 15:19 - A | A

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Sorriso

Violentada quatro vezes em delegacia, vítima e filha de 8 anos foram ameaçadas

Servidor com mais de 20 anos de carreira é acusado de violência sexual durante plantão

Rojane Marta/Fatos de MT

Segue preso o investigador da Polícia Civil acusado de cometer crime de estupro dentro da delegacia de Sorriso, no médio norte de Mato Grosso. O servidor, identificado como Manuel Batista da Silva, de 52 anos, teve a prisão preventiva decretada após o Ministério Público apresentar a denúncia e a Justiça considerar graves os indícios apresentados no inquérito.

O caso veio a público nos últimos dias, embora os fatos tenham ocorrido no ano passado. Segundo o relato da defesa, a vítima — uma mulher que havia sido presa temporariamente por suspeita de envolvimento em um homicídio — teria sofrido quatro abusos sexuais dentro da própria delegacia, durante o período em que aguardava audiência de custódia e posterior transferência.

De acordo com o advogado da vítima, a mulher foi detida por ordem judicial a pedido da Polícia Civil, sob a suspeita inicial de participação em um crime ocorrido em Sorriso. Posteriormente, as investigações indicaram que ela não estava na cena do homicídio, o que levou a própria autoridade policial a pedir a revogação da prisão temporária. Ainda assim, enquanto esteve custodiada, a mulher afirma ter sido violentada repetidas vezes pelo investigador durante o plantão noturno, quando havia poucos servidores na unidade.

A defesa relata que os abusos teriam ocorrido em uma sala da delegacia, fora da cela, sob ameaças de morte contra a vítima e sua filha, de aproximadamente oito anos. Conforme o depoimento, a mulher teria sido retirada da cela em diferentes momentos da noite e madrugada para os crimes, incluindo conjunção carnal e sexo oral forçado. Ela afirma que permaneceu dois dias sem tomar banho para preservar material genético que pudesse comprovar o estupro.

Após ser solta, a vítima procurou o advogado e decidiu formalizar a denúncia. O caso foi levado diretamente ao Ministério Público, que, diante do relato e dos elementos iniciais, determinou a abertura de investigação sigilosa. Imagens do sistema interno de câmeras da delegacia foram recolhidas e passaram a integrar o inquérito.

Em nota oficial, a Polícia Civil do Estado de Mato Grosso afirmou que não houve erro na prisão da mulher, sustentando que ela foi detida em cumprimento de mandado judicial por suspeita de envolvimento em homicídio. A corporação informou ainda que, no curso das apurações, a própria delegacia representou pela revogação da prisão temporária. A Polícia Civil ressaltou que não divulgará mais detalhes em razão do segredo de Justiça, que envolve tanto a condição de servidor público do investigado quanto a natureza do crime, enquadrado na Lei Maria da Penha.

A corregedoria da Polícia Civil acompanha o caso e conduz apuração administrativa paralela. Segundo informações da defesa, o investigador é servidor concursado há cerca de 22 anos, recebe remuneração aproximada de R$ 22 mil e, apesar da prisão preventiva, ainda permanece vinculado aos quadros da instituição, com situação funcional sob análise.

O advogado da vítima informou que pretende se habilitar como assistente de acusação na futura ação penal e não descarta a responsabilização do Estado, caso os fatos sejam confirmados. Para a defesa, a ocorrência de violência sexual dentro de uma delegacia representa quebra grave de confiança institucional.

O caso segue sob sigilo judicial. O Ministério Público e a Polícia Civil continuam com as investigações, enquanto a defesa do investigador ainda não se manifestou publicamente.

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