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Política Sábado, 24 de Outubro de 2026, 15:02 - A | A

Sábado, 24 de Outubro de 2026, 15h:02 - A | A

RESERVA LEGAL POR LOTE

Assentados podem ficar livres de recompor reserva legal em MT; PL é aprovado em 1ª votação

Lúdio Cabral, Valdir Barranco e Wilson Santos registraram votos contrários ao projeto da reserva legal

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de Mato Grosso

ALMT, Assembleia Legislativa de Mato Grosso

Os lotes de assentamentos rurais em Mato Grosso podem deixar de ser tratados como partes de uma única grande propriedade na hora de calcular a reserva legal. É o que prevê o projeto de lei do deputado Gilberto Cattani aprovado em primeira votação na quarta-feira (21) pela Assembleia Legislativa. Pelo texto, a fiscalização ambiental nos assentamentos terá de considerar cada parcela definida pelo órgão fundiário, e não a área do projeto como um todo.

O projeto também estabelece que imóveis rurais que tinham até quatro módulos fiscais em 22 de julho de 2008 e que hoje têm vegetação nativa abaixo do percentual exigido pelo Código Florestal não precisarão adequar a reserva legal. A vegetação que restou passa a ser considerada a própria reserva, sem obrigação de recomposição, reflorestamento ou regeneração. As regras sobre áreas de preservação permanente continuam valendo.

Segundo a própria justificativa, essa dispensa já está prevista no artigo 67 do Código Florestal, lei federal de 2012 cuja constitucionalidade foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal em 2018. O ponto que muda a prática no Estado é a regra sobre os assentamentos.

De acordo com Cattani, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) considera os lotes dos assentamentos como integrantes de uma grande propriedade e, por isso, exige a manutenção de 50% de reserva sobre a área consolidada até maio de 2000, ou 80% a partir de então. Para o deputado, o entendimento contraria a legislação federal e gera passivos ambientais que "vêm onerando o desenvolvimento" dos assentados.

A justificativa afirma que Mato Grosso tem mais de 400 projetos de assentamento, com mais de 70 mil lotes rurais, envolvendo direitos de quase 10 mil famílias.

O texto foi protocolado em março de 2023. Na Comissão de Meio Ambiente, Fábio Tardin pediu vista em agosto daquele ano, e o parecer favorável da relatora, Janaína Riva, foi aprovado em maio de 2024 por três votos a um. O voto contrário foi de Wilson Santos. Desde então, o projeto estava apto para o plenário.

Na votação de quarta-feira, que ocorreu sem debate, Lúdio Cabral (PT), Valdir Barranco (PT) e Wilson Santos registraram votos contrários. O projeto agora cumpre pauta por cinco sessões ordinárias antes da segunda votação.

Depois de anunciado o resultado, Lúdio pediu a palavra para que o voto constasse em ata. "Eu quero só que registre contra, que na Comissão de Meio Ambiente eu também votei contra", disse. O registro da reunião da comissão de maio de 2024, porém, aponta apenas o voto contrário de Wilson Santos.

Na mesma sessão, Cattani, que vive em um assentamento, usou a tribuna para criticar a Sema. Ele exibiu no telão a imagem do local e afirmou que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) de pequenos produtores vizinhos foi cancelado depois que uma pessoa de fora fez um georreferenciamento sobreposto aos lotes. "Como é possível uma pessoa fazer um georreferenciamento e invalidar o CAR dos outros sem ser proprietário da área? Como é possível que a Sema aceite isso?", questionou.

O deputado pediu ao governador eleito, Otaviano Pivetta, uma intervenção na secretaria. "A Sema é causadora de problemas para o nosso setor produtivo", afirmou. O presidente da sessão, Júlio Campos, endossou a crítica e defendeu "um choque de gestão na Sema, para que ela possa atender melhor os nossos produtores rurais".

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