O delegado da Polícia Civil de Mato Grosso, Caio Fernando Álvares de Albuquerque, afirmou que familiares não precisam esperar 24 horas para registrar o desaparecimento de uma pessoa. A orientação foi dada durante entrevista ao programa Capivara na Faixa, da TV Assembleia, ao explicar como funciona o atendimento e a investigação desses casos no Estado.
De acordo com o delegado, quanto mais rápido a polícia é informada sobre o desaparecimento, maiores são as chances de localizar a pessoa.
Ele explicou que não existe qualquer regra legal que determine a espera de um dia para registrar a ocorrência. Assim que a família percebe que houve uma quebra de rotina e não consegue contato com o desaparecido, o recomendado é procurar imediatamente a polícia.
O registro pode ser feito em qualquer delegacia, mas a orientação é que os familiares compareçam presencialmente para prestar informações detalhadas sobre a pessoa desaparecida.
Entre os dados considerados importantes para iniciar as buscas estão fotografias recentes, rotina da vítima, locais que costumava frequentar, amigos, trabalho e meios de transporte utilizados.
Segundo o delegado, essas informações permitem que os investigadores tenham uma visão mais clara das circunstâncias do desaparecimento.
Cenário em Mato Grosso
Na região atendida pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que abrange Cuiabá, Várzea Grande, Santo Antônio de Leverger e Acorizal, são registrados cerca de 800 casos de desaparecimento por ano.
Apesar do número elevado, Caio Fernando afirma que aproximadamente 90% das pessoas são localizadas.
Entre os casos mais comuns estão situações em que adolescentes saem de casa após conflitos familiares ou pessoas que desaparecem voluntariamente por algum motivo pessoal.
Nessas situações, quando a polícia confirma que o desaparecido está vivo e em segurança, o procedimento é encerrado.
Desaparecimentos ligados a crimes
O delegado também explicou que parte dos casos pode estar relacionada a crimes.
Segundo ele, há registros de desaparecimentos forçados, quando a pessoa é levada contra a vontade por terceiros.
Quando surgem indícios de violência ou possível homicídio, a investigação deixa de ser tratada apenas como desaparecimento e passa a integrar inquéritos conduzidos pela Delegacia de Homicídios.
Dados levantados pela DHPP indicam que, desde 2017, houve aumento desses casos. Somente em 2025, cerca de 30 desaparecimentos na região apresentaram sinais de envolvimento com crimes violentos.
Em muitos desses episódios, no entanto, o corpo da vítima não é localizado, o que torna as investigações ainda mais complexas.
Investigações e buscas
O delegado destacou que os procedimentos de busca são iniciados imediatamente após o registro da ocorrência.
A investigação envolve coleta de depoimentos, análise de imagens de câmeras de segurança, levantamento da rotina da vítima e divulgação de cartazes com fotografias do desaparecido.
As buscas também contam com apoio do Corpo de Bombeiros e da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec).
Mesmo quando as informações iniciais se esgotam, os casos continuam registrados no banco de dados da polícia e podem ser retomados sempre que surgirem novas pistas.
Nova lei amplia divulgação
Durante a entrevista, o delegado também comentou a Lei nº 13.051/2025, aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
A norma determina que fotos de pessoas desaparecidas sejam divulgadas em telões e banners digitais durante eventos públicos, como shows, jogos e grandes reuniões com público.
Para Caio Fernando, a medida amplia o alcance das informações e pode ajudar na localização de desaparecidos.
Ele avalia que a visibilidade gerada em locais com grande circulação de pessoas pode facilitar o surgimento de novas pistas ou até permitir que o próprio desaparecido seja reconhecido.
Como registrar o desaparecimento
O núcleo de pessoas desaparecidas funciona na sede da Polícia Civil, localizada na Avenida Miguel Sutil, em Cuiabá.
As denúncias também podem ser feitas pelo telefone 197, canal oficial da Polícia Civil, ou pelo WhatsApp do núcleo de desaparecidos da DHPP.








