Um diagnóstico ambiental positivo sobre o rio Cuiabá e um alerta duro sobre a falta de investimentos em saneamento básico marcaram o discurso do deputado estadual Wilson Santos (PSD), durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desta quarta (25). Na tribuna, o parlamentar afirmou que o Estado tem negligenciado áreas essenciais enquanto prioriza obras que, segundo ele, não atendem às necessidades mais urgentes da população.
Ao relatar a terceira expedição fluvial realizada no rio Cuiabá, Wilson Santos destacou que o levantamento percorreu cerca de 920 quilômetros, desde a barragem de Manso até a divisa com Mato Grosso do Sul. Segundo ele, o estudo identificou que aproximadamente 99% da mata ciliar ao longo do rio está preservada, com registros pontuais de degradação.
Apesar do cenário considerado positivo, o deputado chamou atenção para outros riscos ambientais. Ele mencionou a preocupação de comunidades ribeirinhas com a possibilidade de instalação de novas usinas hidrelétricas na bacia do rio Cuiabá, que, segundo afirmou, já foi classificada como área restrita para esse tipo de empreendimento pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA).
Wilson também afirmou que há movimentação de empresários em Brasília para reverter essa restrição, o que, segundo ele, exige atenção das autoridades estaduais e federais.
O parlamentar direcionou críticas à falta de investimentos em saneamento básico. Citando dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), ele afirmou que, nos últimos 10 anos, o governo estadual destinou apenas 0,01% de recursos para o setor.
Para ele, a ausência de políticas estruturais tem impactado diretamente municípios e comunidades, que não têm capacidade financeira para resolver sozinhos problemas relacionados ao abastecimento de água e tratamento de esgoto.
Durante o discurso, Wilson Santos citou exemplos de cidades que enfrentam dificuldades históricas, como Tangará da Serra e Barão de Melgaço, onde, segundo ele, estruturas antigas e insuficientes ainda são utilizadas para captação e tratamento de água.
O deputado também questionou a priorização de investimentos em obras como o Parque Novo Mato Grosso. Sem se posicionar contra o empreendimento, ele afirmou que o projeto foi executado em um momento inadequado, diante das carências sociais ainda existentes no Estado.
“Não sou contra o parque, mas é preciso discutir prioridades. Há comunidades que não têm água potável, enquanto investimos em obras que não resolvem problemas básicos”, afirmou.
Wilson Santos defendeu que a Assembleia Legislativa priorize o aumento de recursos para o saneamento básico na próxima Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), prevista para ser analisada em maio.
Ao encerrar, o parlamentar reforçou que o debate não é sobre impedir investimentos em lazer ou turismo, mas sobre estabelecer prioridades que atendam diretamente às necessidades da população, especialmente em áreas como água tratada, saúde e qualidade de vida.









