Um caso de morte enquanto aguardava uma ressonância magnética levou o enfermeiro Dejamir Soares (PSDB) a defender, já no primeiro discurso como deputado estadual, a criação de um prazo máximo para exames de imagem no SUS em Mato Grosso. Empossado nesta quarta-feira (22), na vaga do licenciado Juca do Guaraná (PSDB), ele anunciou proposta que estabelece limite de 60 dias para a realização dos procedimentos, com encaminhamento à rede privada caso o atendimento não ocorra no período.
Segundo o parlamentar, a iniciativa foi motivada por uma situação acompanhada durante sua atuação no Núcleo de Internação e Regulação (NIR) de um pronto-socorro. Ele relatou o caso de um paciente que aguardou por meses um exame de ressonância necessário para diagnóstico de uma lesão cerebral. Sem o procedimento, o tratamento não foi iniciado e o paciente morreu.
“Aquela senhora me abraçou e falou: ‘Você é enfermeiro, né? Luta por esse povo que está na fila de regulação’”, afirmou Soares ao relembrar o relato da mãe do paciente.
O deputado disse que a demora para exames de maior complexidade no estado compromete o atendimento médico e citou filas prolongadas. De acordo com ele, há pacientes que aguardam ultrassonografia com Doppler desde 2017, enquanto a espera por ressonância magnética pode ultrapassar três anos. “Sem diagnóstico, não há tratamento”, afirmou.
A proposta prevê que, após solicitação médica, o exame deve ser realizado em até 60 dias pela rede pública. Caso não haja capacidade de atendimento, o paciente deverá ser encaminhado para a rede privada, com despesas custeadas pelo Estado.
Durante o discurso de posse, Soares também destacou a própria trajetória. Ele afirmou ter origem em família de baixa renda, com seis filhos, e atuação ligada à Igreja Católica e ao movimento sindical. Disse que a experiência na enfermagem orientará sua atuação no Legislativo.
Dejamir Soares permanecerá no cargo enquanto durar a licença de Juca do Guaraná.









