Uma disputa interna pela definição das presidências das comissões permanentes provocou forte embate entre deputados durante sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) desta quarta (4). Parlamentares acusaram interferência política na escolha dos cargos, quebra de acordos firmados entre as bancadas e desrespeito ao regimento interno da Casa.
As críticas foram feitas no plenário por deputados que contestaram a forma como os nomes para presidir as comissões foram definidos. Segundo os parlamentares, o processo deveria ocorrer com eleição entre os integrantes de cada colegiado, e não por indicação prévia articulada na liderança do governo.
O deputado Eduardo Botelho (União) afirmou que o procedimento adotado contraria o funcionamento tradicional da Assembleia e classificou a situação como uma afronta às normas internas da Casa.
“Isso é uma afronta ao regimento da Assembleia. As comissões precisam respeitar o processo regimental e a vontade dos parlamentares que integram cada colegiado”, declarou.
A deputada Janaína Riva (MDB) também criticou a condução das articulações políticas. Para ela, a forma como os cargos foram distribuídos compromete a transparência do processo e expõe um desrespeito aos acordos construídos entre os deputados.
“Foi algo sorrateiro e ridículo para a Assembleia. Não se pode combinar uma coisa e fazer outra na hora da definição das comissões”, afirmou durante o debate.
Outro parlamentar que reagiu ao episódio foi o deputado Fábio Tardin, o Fabinho, que anunciou a renúncia a todos os colegiados dos quais faria parte. Segundo ele, a decisão foi tomada após a quebra de compromissos políticos assumidos nas negociações internas.
“Diante da quebra de palavra e da forma como tudo foi conduzido, estou renunciando às comissões. Não tenho interesse em participar de algo que não respeita o que foi acordado”, disse.
O deputado Eliseu Nascimento (PL) também manifestou insatisfação com o processo e afirmou que a Assembleia precisa preservar o respeito às regras internas para evitar conflitos institucionais entre os parlamentares.
A disputa envolve principalmente a composição de comissões consideradas estratégicas dentro da estrutura legislativa, como a Comissão de Constituição, Justiça e Redação, responsável por analisar a constitucionalidade e a legalidade das propostas antes de serem votadas em plenário.
Nos bastidores, parlamentares chegaram a mencionar a possibilidade de questionamentos formais sobre o processo de definição das presidências das comissões, o que poderia levar a uma judicialização do conflito.
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