A sessão da Assembleia Legislativa de Mato Grosso desta quarta (25) expôs cobranças públicas de deputados, alguns alinhados ao governador Mauro Mendes (União), em temas sensíveis para o Palácio Paiaguás, como saúde, combustíveis e investimentos em Várzea Grande. Embora não tenha havido rompimento político, as falas mostraram incômodo de parlamentares da própria base com decisões do Executivo e com a demora em respostas do governo.
Uma das manifestações mais duras partiu do deputado Cláudio Sena (PSDB), que responsabilizou distribuidoras pelo aumento do preço do combustível em Mato Grosso e cobrou ação imediata do Procon. Da tribuna, ele afirmou que nunca viu fiscalização sobre as distribuidoras e desafiou o órgão a pedir notas fiscais de entrada e saída das empresas. “Eu nunca vi o Procon nas distribuidoras” e “a Petrobras deu apenas 40 centavos de aumento para eles. Por que eles estão cobrando 1,80 de revenda?” disse o parlamentar, ao sustentar que o problema não estaria nos postos, mas no elo anterior da cadeia .
O discurso foi reforçado por Lúdio Cabral, mas a cobrança inicial com maior peso político veio de Sena, que integra o campo governista e falou como empresário do setor. Ele ainda afirmou que “alguém está se aproveitando dessa situação” e pediu investigação sobre o comportamento das distribuidoras em meio à alta do diesel .
Na saúde, o embate ganhou outro nível. Lúdio Cabral acusou diretamente o governo de tentar esvaziar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência. Segundo ele, “o governador de Mato Grosso desde 2020 tenta acabar com o SAMU na marra” e agora estaria rescindindo contratos de mais de 50 profissionais, entre técnicos, enfermeiros e condutores . Embora Lúdio esteja na oposição, a pressão ganhou corpo porque foi acompanhada por integrantes da Comissão de Saúde.
O deputado Paulo Araújo anunciou que a comissão trataria do tema de forma específica, após reclamações sobre paralisação de unidades do serviço. Já Sebastião Rezende disse considerar “extremamente preocupante” o encerramento de contratos sem que a Assembleia tivesse informações claras sobre o planejamento da Secretaria de Estado de Saúde, defendendo o fortalecimento das bases do SAMU . A pressão resultou na aprovação de requerimento para convocar o secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo, a prestar esclarecimentos sobre a situação do serviço, conforme registrado na própria sessão .
Outro momento de cobrança partiu do deputado Fábio Tardin, também aliado do governo, ao afirmar da tribuna que Mato Grosso precisa lançar o hospital regional de Várzea Grande. Ao elogiar obras estaduais, ele aproveitou para pressionar o Executivo e disse que Mauro Mendes e Otaviano Pivetta têm de cumprir o compromisso com a segunda maior cidade do estado. Segundo o parlamentar, “nós temos que fazer o lançamento do hospital regional de portas abertas na cidade de Várzea Grande” porque o município “merece mais respeito”, além de afirmar que há uma “dívida histórica” de governadores com a cidade. A fala teve tom de cobrança direta, mesmo dentro de um discurso favorável ao governo, segundo a transcrição .
A sessão também registrou tensão interna em torno da CPI da Saúde. O líder do governo, Dilmar Dal Bosco, rebateu publicamente a convocação anunciada por Wilson Santos para reunião da comissão e criticou a tentativa de impor calendário sem deliberação dos membros. “Não adianta vir expor aqui na tribuna qualquer deputado e definir que amanhã às 8 horas reunião da CPI. Tem que ser deliberado dentro da CPI”, afirmou . A resposta mostrou que, mesmo antes do início efetivo dos trabalhos, a comissão já abriu uma disputa procedimental entre governistas e parlamentares com atuação mais independente.









