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Política Domingo, 25 de Outubro de 2026, 22:09 - A | A

Domingo, 25 de Outubro de 2026, 22h:09 - A | A

NÃO RECONHECE DERROTA

Flávio Bolsonaro rejeita vitória de Lula, acusa Zanin de interferência e anuncia pedido para anular eleição

Senador derrotado atribui a decisão a uma “canetada” de Zanin, que prorrogou a votação, e diz que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre; Lula venceu por 4,4 milhões de votos

Rojane Marta/Fatos de MT

Reprodução vídeo

flavio

O senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou na noite deste domingo (25) que não vai reconhecer o resultado do segundo turno da eleição presidencial e que vai pedir a anulação da votação. Em pronunciamento depois da confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele atribuiu a derrota à decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou prorrogar a votação por duas horas. “É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico. Vamos pedir a anulação dessas eleições”, disse. Lula teve 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio, com 99,92% das seções totalizadas, uma diferença de 4,4 milhões de votos.

Para o senador, o que aconteceu “não foi algo normal” e foi “inaceitável”. “Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada a pedido de um ex-sócio dele e muda a regra do jogo no meio do jogo”, afirmou. Flávio disse que Zanin, que não integra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tomou a decisão às 17h01 “atropelando a Justiça especializada”. Segundo ele, houve “uma quebra total de isonomia” entre eleitores de diferentes cidades e estados. “Eu nunca vou saber se, num estado onde as urnas não foram reabertas, quantos votos eu poderia ter”, disse.

O candidato do PL também afirmou que fiscais do partido foram retirados da sala-cofre do TSE, onde fica o sistema de totalização, depois que a decisão foi tomada. “Tem muita coisa para ser esclarecida antes de o Brasil simplesmente reconhecer” o resultado, declarou. Flávio não apresentou provas das acusações nem informou quando o pedido de anulação será feito. Ele encerrou dizendo que não vai “desistir do meu Brasil”.

A decisão de Zanin foi tomada em uma reclamação da coligação de Lula, que acusou as prefeituras de Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, na Bahia, de reduzir a frota de ônibus no dia da eleição. O pedido foi assinado pelo escritório do advogado Angelo Longo Ferraro. Antes do fim da votação, a campanha de Flávio também tinha pedido ao TSE que a votação fosse estendida até as 19h em municípios atingidos por chuvas, alagamentos e interdições de estradas. Na segunda decisão do dia, Zanin citou isso: “As duas candidaturas que disputam as eleições presidenciais no segundo turno alegaram problemas no transporte de eleitores, razão pela qual concedi a medida liminar”.

Na prática, a prorrogação teve alcance limitado. A primeira ordem de Zanin chegou depois das 17h, quando a maior parte das seções já tinha sido encerrada. Por volta das 18h, o TSE orientou os tribunais regionais a manter em funcionamento até as 19h apenas as seções “que ainda estiverem abertas”. Em seguida, Zanin ajustou a decisão. Depois de receber informações do TSE “sobre o fechamento de urnas às 17 horas”, determinou que a prorrogação valesse só “nos locais onde as urnas não foram fechadas” e que os votos das urnas já encerradas fossem “computados e totalizados”. Nenhuma seção encerrada foi reaberta. A totalização dos votos ficou suspensa por quase duas horas e foi retomada por volta das 19h.

Durante a apuração, Flávio chegou a liderar e a abrir 333 mil votos de vantagem com cerca de 30% das urnas apuradas. Lula voltou à frente com 47% das seções totalizadas e ampliou a diferença até o fim. O TSE declarou a eleição matematicamente definida às 21h08 de Brasília. Até a publicação desta reportagem, o TSE e o STF não tinham se manifestado sobre as declarações do senador.

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