O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (25), no primeiro pronunciamento depois de ser reeleito, que vai regular as plataformas digitais no novo mandato. Segundo ele, a eleição foi vencida contra “a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais”. Ao lado do vice, Geraldo Alckmin (PSB), Lula chamou o resultado de “uma derrota do negacionismo” e “uma derrota da mentira”. Ele disse também que este será seu último mandato e prometeu fazer “o melhor mandato que um presidente já fez na história deste país”. Lula foi reeleito com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% do senador Flávio Bolsonaro (PL), com 99,92% das seções apuradas.
“Não é possível que a gente não tenha consciência de que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real”, disse o presidente. “Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes, ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para este país e tentando direcionar o resultado eleitoral deste país.”
Sem citar Flávio pelo nome, Lula fez duras críticas ao adversário ao falar dos debates da campanha. “Eu nunca pensei em me deparar com o representante genuíno do milicianismo deste país”, afirmou. “Nunca imaginei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez, como se não tivesse dentro dele uma célula de humanismo.” Mais adiante, declarou que, depois de ganhar a eleição, não há mais adversário. “Eu tenho que governar para 215 milhões”, disse.
O presidente afirmou que as eleições lhe ensinaram “muitas lições” e que vai “mudar o jeito de governar este país”, com mais participação popular nas decisões e mais espaço para a comunicação digital. Contou que ganhou um celular do governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e que pretende falar diretamente com a população várias vezes por dia. “Não vou ficar permitindo ser interpretado por jornalista com má-fé. Não vou. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço”, disse.
Lula listou prioridades para o novo mandato. Na educação, prometeu universalizar a escola em tempo integral até o ensino médio, ampliar o Pé-de-Meia para todo o ensino médio e criar um Pé-de-Meia universitário, “para que nenhum jovem, nenhuma menina desista de estudar porque tem que trabalhar”. Também defendeu mais ensino de matemática e engenharia para o país desenvolver uma inteligência artificial própria, sem depender “de inteligência artificial chinesa ou americana”. Disse ainda que o Brasil deve usar o potencial de energia renovável para atrair data centers, com a exigência de que parte da estrutura guarde dados brasileiros.
Na saúde, afirmou que um dos motivos que mais o motivaram na campanha foi “não permitir que essa gente ganhasse para privatizar o nosso SUS”. Prometeu dar atenção especial às políticas para idosos e para mulheres e disse que todas as religiões serão respeitadas “em igualdade de condição”. “Eu não tenho preferência por nenhuma religião. Eu tenho preferência pelo respeito à fé do povo brasileiro”, afirmou. Na área ambiental, disse que o país reduziu o desmatamento pelo quarto ano consecutivo.
O presidente também anunciou que o governo federal vai atuar mais na segurança pública, área que hoje fica sob responsabilidade dos estados. “Agora está provado que os estados não dão conta. Nós vamos entrar agora”, disse. “Para o povo trabalhador, a gente vai dar proteção. Para o bandido, a gente vai dar prisão.”
Sobre a relação com o Congresso, Lula rebateu a avaliação de que terá dificuldade para governar com um Legislativo mais conservador. “Eu não escolhi o Congresso. Foi o povo que escolheu e é com ele que eu vou trabalhar e vou aprovar as coisas”, afirmou. “Ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos.”
Lula disse ter orgulho de ser “o único presidente da República, um metalúrgico, sem diploma universitário, eleito quatro vezes democraticamente”. Ele completa 81 anos na terça-feira (27) e afirmou que não buscará um quinto mandato. “Vou terminar esse mandato inteiraço, correndo mais do que qualquer um de vocês”, disse. Segundo ele, a vitória deste ano foi a primeira em que precisou reverter uma desvantagem do primeiro turno. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula.
O presidente afirmou que terá dois meses para montar o novo governo e que pretende se reunir com empresários, educadores, cientistas e representantes de mulheres. A posse está marcada para 5 de janeiro de 2027. Ao fim do discurso, disse que seguiria para a Avenida Paulista para agradecer aos eleitores.
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