Um desabafo incomum na tribuna da Câmara de Cuiabá marcou o anúncio do vereador Kássio Coelho, que decidiu não disputar a reeleição após perder o comando do partido que articulava politicamente. Em tom de frustração, ele afirmou ter sido “enganado” e “descartado” por lideranças, em meio a uma disputa interna que, segundo ele, inviabilizou seu projeto político.
A fala ocorreu durante sessão legislativa desta quinta (9), quando o parlamentar, ao pedir a palavra, desviou do tom protocolar e expôs o que classificou como uma ruptura nos bastidores da política partidária.
“Fui enganado por um grupo de pessoas mau-caráter, sem palavra, que brincam com o sentimento dos outros. Fui jogado fora igual a um saco de lixo", disparou o parlamentar.
O vereador se referia à perda do controle do PRD em Mato Grosso, sigla que vinha estruturando para as eleições. O vereador revelou que o revés partidário o deixou "sem teto" durante o fechamento da janela eleitoral, prejudicando não apenas sua candidatura, mas a formação de uma chapa que, segundo seus cálculos, teria potencial para eleger até três parlamentares.
“Eu tinha mandato, chapa pronta, mais de 80 provisórias organizadas. Tiraram de quem tem mandato e entregaram para quem nunca ganhou eleição”, disse.
Kássio Coelho também relatou que ficou cerca de 15 dias sem partido, período que classificou como prejudicial para o grupo político que liderava. De acordo com ele, a mudança impactou diretamente o desempenho eleitoral da sigla na capital.
A decisão de não disputar a reeleição, segundo o parlamentar, está diretamente ligada à decepção com esse episódio.
“Esse tipo de política é o motivo de eu não ser mais candidato. Não pretendo disputar mais eleição”, afirmou.
Durante o discurso, o vereador também mencionou o impacto pessoal da crise política, citando a família e aliados que acompanharam o projeto eleitoral. “Mexeram com a minha família. Minha esposa, meus filhos ficaram abalados”, relatou.
Além do impacto político, o parlamentar destacou que a ruptura trouxe prejuízo financeiro. Segundo ele, o investimento feito ao longo da pré-campanha acabou comprometido com a mudança no comando partidário. “O avião não levanta sozinho e você não dorme de graça. Tomamos um prejuízo muito grande”, afirmou ao relatar os custos de viagens e articulações feitas em mais de 100 municípios.







