O vereador Bruno Rios (PL), de Várzea Grande, afirmou nesta quarta-feira (21) que a transferência de R$ 12 mil entre ele e o vereador Caio Cordeiro, registrada no material da investigação do Gaeco, é a devolução de um empréstimo. Segundo Bruno, Caio pediu o dinheiro emprestado por cerca de uma semana, quando foi contemplado em um consórcio, e depois devolveu o valor. O comprovante está entre os arquivos que Caio entregou ao Gaeco, que serviram de base para a Operação Cathedra Venalis. A operação, deflagrada na terça-feira (20), apura suspeita de compra de apoio na eleição da Mesa Diretora da Câmara.
"Isso aí é em decorrência de um empréstimo. O Caio, na época, tinha um consórcio em que ele foi contemplado e me pediu emprestado o dinheiro por uma semana, mais ou menos. Eu acabei concedendo a ele esse empréstimo e ele me devolveu", explicou o vereador. No material analisado pelo Gaeco, o comprovante mostra uma transferência de R$ 12 mil de Caio para Bruno, em um arquivo chamado "Empréstimo com Bruno Rios".
Perguntado se recebeu alguma proposta de dinheiro do presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), Bruno negou. "Não, de forma alguma. Até porque eu não pertenço ao grupo político dele", disse. "Acredito que o modus operandi dele está nítido e claro para toda a sociedade de Várzea Grande. Eu acho que é só separar quem está do lado dele." Bruno disse ainda que não teve acesso ao inquérito e que está tentando obter as informações para dar mais esclarecimentos.
O vereador é o autor da reclamação que levou o Supremo Tribunal Federal (STF) a anular a eleição de 14 de maio, em que Wanderley foi reconduzido à presidência por 12 votos a 11. Bruno também está entre os cinco parlamentares que entraram com mandado de segurança na 3ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande para obrigar o presidente a convocar uma nova votação. Segundo ele, Wanderley tem até segunda-feira (26) para prestar informações ao juiz.
Bruno acusa o presidente de evitar a intimação para ganhar tempo. "Ele mesmo corre do oficial para ser intimado", afirmou. De acordo com o vereador, o oficial de Justiça só conseguiu notificar Wanderley na terceira tentativa. "A gente observa um presidente querendo protelar a eleição da Mesa, que está ensejando toda essa celeuma." Quando o prazo de dez dias terminar, o grupo vai pedir ao juiz uma decisão liminar para que Wanderley convoque a eleição em 24 horas.
Bruno negou que Lucas do Chapéu do Sol (PL) vá deixar a disputa para que ele encabece a chapa. "Não há nada de verdade nisso. O Lucas Chapéu do Sol é candidato e a gente vai até o final", disse. Segundo o vereador, o grupo já soma de 19 a 20 dos 23 votos da Câmara. Antes da operação, um requerimento com 15 assinaturas pedindo sessão extraordinária para a eleição havia sido rejeitado por Wanderley.
Bruno disse que a ideia agora é conversar até com o presidente para chegar a um nome de consenso, como, segundo ele, ocorreu em Cuiabá. "A ideia é que a gente tente conversar, inclusive ainda com o presidente Vanderlei, para que ele caia em si, veja tudo que está ocorrendo", afirmou. Para o vereador, a disputa interna trava assuntos como o abastecimento de água, a saúde e a recuperação das ruas. "Eu acho que esse problema interno da Câmara já passou da hora de ser resolvido."
Na sessão de terça, em uma conversa captada pelo microfone aberto, Wanderley bateu no ombro de Bruno e disse que ele "vai pagar". Bruno registrou boletim de ocorrência por ameaça. Questionado nesta quarta se teme pela própria segurança, respondeu: "Eu acredito muito em Deus. Ontem eu falei para o meu pai, para a minha mãe… Não é fácil falar nisso, mas eu falei para o meu pai que ele fez um filho homem e que eu morro em pé, mas não vivo de joelhos". E completou: "Acredito muito nas minhas convicções e acredito muito na Justiça de Deus".
A Cathedra Venalis cumpriu mandados contra 13 vereadores de Várzea Grande, entre eles Wanderley, e dois de Cuiabá. Bruno não está entre os alvos. A posse da Mesa eleita para 2027 e 2028 está prevista para janeiro.
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