Profissionais de saúde do Hospital Regional de Cáceres e do anexo Hospital São Luiz estão há cerca de 90 dias sem salário, segundo denúncia levada ao plenário da Assembleia Legislativa na quarta-feira (21) pelo deputado Júlio Campos. Os trabalhadores são contratados pela Agir, entidade que administra as unidades e, de acordo com o parlamentar, recebe da Secretaria de Estado de Saúde cerca de R$ 40 milhões por mês.
Júlio Campos disse ter recebido o documento no mesmo dia, enviado por um grupo de Cáceres. A denúncia também foi encaminhada à Secretaria de Saúde, ao governo do Estado, ao Conselho Regional de Medicina, ao Tribunal de Justiça, à Assembleia e ao Tribunal de Contas. Segundo o texto, a empresa recebe o repasse mensal, mas não paga médicos, enfermeiros e colaboradores.
"É uma empresa que recebe alguns milhões de reais por mês para atender a saúde pública de toda a região Oeste", afirmou Júlio Campos, que registrou protesto e pediu providências ao governo.
Ele convocou dois colegas da área a atuar no caso, Lúdio Cabral (PT), presidente da Comissão de Saúde, e Wilson Santos, presidente da CPI da Saúde.
Lúdio reforçou a cobrança logo em seguida e falou em pelo menos três meses de atraso. "O Estado paga a OS, e a OS não paga os profissionais da saúde", disse. Segundo ele, a situação atinge técnicos de enfermagem, enfermeiros, médicos e fisioterapeutas.
O deputado criticou a volta do modelo de gestão por organização social nos hospitais regionais. "Esse modelo fracassou entre 2011 e 2018, e o Estado de Mato Grosso, infelizmente, está voltando ao passado", afirmou. Lúdio lembrou que a Assembleia já havia cobrado a mesma entidade no primeiro semestre deste ano e defendeu nova pressão sobre a OS e sobre o Estado para regularizar os pagamentos.
O Hospital Regional de Cáceres é referência para a região Oeste de Mato Grosso.
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