O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), participará da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), entre os dias 9 e 20 de novembro, em Antália, na Turquia, com o objetivo de atrair investidores internacionais interessados na compra de créditos de carbono gerados pela redução do desmatamento no Estado. A comitiva mato-grossense pretende apresentar os resultados das ações ambientais e avançar nas negociações para transformar a conservação florestal em fonte de recursos financeiros.
A agenda será concentrada em encontros com potenciais compradores de créditos de carbono, especialmente investidores ligados à iniciativa internacional de financiamento da conservação florestal. Pivetta permanecerá fora do Estado até o dia 18 de novembro.
Segundo a secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren Lazzaretti, uma das prioridades é obter certificação internacional para os créditos de carbono gerados nos últimos anos. O reconhecimento permitiria ampliar a confiança dos compradores e criar condições para que os resultados da redução do desmatamento sejam comercializados.
A intenção do Governo é utilizar os recursos obtidos com essas negociações para financiar iniciativas de preservação ambiental e inclusão social. Entretanto, a comercialização depende do cumprimento de critérios técnicos, reconhecimento dos créditos e acordos com os investidores.
Durante a conferência, governadores que integram o Consórcio da Amazônia Legal também devem apresentar as medidas adotadas pelos estados para estruturar o sistema de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+ Jurisdicional).
O mecanismo permite que governos estaduais busquem compensação financeira por reduções comprovadas de emissões de gases de efeito estufa associadas à preservação das florestas.
Pivetta propõe criação de estatal para negociar créditos de carbono
Paralelamente à participação na COP31, o Governo de Mato Grosso tenta avançar na criação de uma empresa destinada à comercialização de ativos ambientais.
O Projeto de Lei nº 1.156/2026, encaminhado por Pivetta à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), prevê a criação da Companhia Mato-grossense de Ativos Ambientais S.A. (CMAA), uma sociedade de economia mista que ficará vinculada à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema).
A proposta estabelece capital social inicial de R$ 2 milhões e autoriza a companhia a administrar, estruturar e comercializar créditos de carbono, créditos de biodiversidade e outros ativos ambientais. A empresa também poderá buscar investimentos nacionais e internacionais para financiar projetos de conservação.
A criação da companhia ainda depende de aprovação dos deputados estaduais. Caso o projeto seja aprovado e sancionado, o Governo terá de regulamentar o funcionamento da empresa.
A iniciativa está relacionada à meta estadual de alcançar emissões líquidas zero de carbono até 2035.
Além das negociações financeiras, a delegação de Mato Grosso deve participar de discussões sobre riscos climáticos, prevenção e combate a incêndios florestais, economia florestal e enfrentamento aos crimes ambientais.
A COP31 reunirá representantes de governos, organizações internacionais e do setor privado para discutir compromissos e medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.
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