O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) afirmou nesta terça-feira (27) que Mato Grosso não tem falta de policiais e que o problema das forças de segurança está na distribuição dos agentes. Ao ser questionado sobre um déficit de 6 mil policiais militares em relação ao efetivo previsto na legislação, ele reagiu com outra pergunta: “Qual déficit? Qual polícia tem déficit?”. A declaração foi dada em entrevista no Palácio Paiaguás, em Cuiabá, depois da assinatura do termo de ajustamento de conduta que prevê 22 unidades integradas da PM e do Corpo de Bombeiros.
“Depende da interpretação que você faz”, respondeu Pivetta, quando a repórter citou o número da lei. Segundo o governador, a Polícia Militar tem hoje entre 7.850 e 7.900 homens e mulheres, dos quais pouco mais de 900 foram chamados neste ano. Ele disse que o Estado tem um policial militar para cada 500 habitantes, proporção que, segundo ele, corresponde à média nacional, e um policial civil para cada 600 moradores, contra uma média nacional de um para cada 800.
Somando a Politec, o Corpo de Bombeiros e os policiais penais, Pivetta calcula 15 mil agentes nas forças de segurança. “Não temos dificuldade ou falta de efetivo. Pode haver, e acredito que há, má distribuição em alguns municípios”, afirmou.
A solução apresentada é tirar policiais dos gabinetes do Centro Político Administrativo (CPA), onde fica a sede do governo, e mandá-los para as ruas. “A polícia tem que estar onde o povo está, não aqui no CPA”, disse no discurso. “Virou até um verso isso. Aqui no CPA, nós precisamos de pouca gente.” A orientação, segundo ele, foi passada ao comando da PM, à secretária de Estado de Segurança Pública, coronel PM Susane Tamanho, e ao Corpo de Bombeiros. Leia mais: Pivetta manda tirar policiais do CPA e colocá-los nas ruas: “Polícia tem que estar onde o povo está”
Na entrevista, o governador rejeitou a ideia de que a medida represente uma redução de pessoal. “Não é corte. É uma mudança de estratégia. Determinei aos comandos das nossas forças de segurança que destinem os nossos agentes para onde o povo está”, afirmou. “Estou dando o exemplo, e todo mundo vai seguir.”
Quando perguntado se haverá concurso público, Pivetta não respondeu diretamente. “Menos no CPA e mais em Mato Grosso”, disse. Sobre como os policiais serão distribuídos entre as cidades, afirmou que cada comando define a sua lotação, em conjunto com a Secretaria de Segurança Pública.
O governador também falou dos novos soldados em formação. Segundo ele, cerca de 900 policiais estão fazendo o curso em 17 cidades-polo do interior, na mesma cidade onde vão trabalhar, e já estão no quarto ou quinto mês de formação, armados e com presença nas ruas. “Não é só ter mais efetivo. É empregar bem e aproveitar bem o efetivo que temos”, declarou, acrescentando que a Polícia Judiciária Civil tem “quadros extraordinários” que “podem muito mais”.
A nomeação dos novos coronéis da PM, que Pivetta havia deixado para depois das eleições, ainda não tem data. “Em algum momento eu vou fazer”, disse. Perguntado se o ato sai até dezembro, respondeu: “É possível”.
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