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Política Domingo, 11 de Outubro de 2026, 09:01 - A | A

Domingo, 11 de Outubro de 2026, 09h:01 - A | A

CONFUSÃO NA UFMT

“Recua, fascista”: estudantes cercam Ulysses Moraes após tentativa de retirar cartaz

Movimento estudantil diz que ele invadiu uma assembleia e rasgou materiais; parlamentar afirma que foi ao campus a pedido de alunos para tirar adesivos

Da Redação

Deputado eleito diz que foi “fazer uma limpeza” a pedido de alunos; movimento estudantil acusa invasão de assembleia, e influenciador que o acompanhava afirma ter levado um tapa

Deputado eleito diz que foi “fazer uma limpeza” a pedido de alunos; movimento estudantil acusa invasão de assembleia, e influenciador que o acompanhava afirma ter levado um tapa

O deputado estadual eleito Ulysses Moraes (Podemos) deixou a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, sob protesto de estudantes depois de tentar retirar cartazes do prédio do Restaurante Universitário (RU) na sexta-feira (9). Os alunos estavam reunidos em um ato de apoio à candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. Vídeos publicados nas redes sociais mostram o parlamentar, adversário do PT, cercado por manifestantes que gritam “recua, fascista, recua” e cobram que ele saia do campus.

Em um dos vídeos, divulgado pelo próprio deputado, Ulysses aparece tentando arrancar um cartaz que anunciava uma assembleia geral dos estudantes, marcada para o mesmo dia, colado na parede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), que funciona no prédio do RU. Um estudante tenta impedir a retirada, e a discussão cresce até outros alunos se juntarem ao coro. Ele estava acompanhado de pelo menos um homem que gravava a ação com o celular. Nas imagens, Ulysses deixa o local sem concluir a retirada.

O deputado eleito confirmou que foi à universidade para tirar adesivos e panfletos. Segundo ele, a ida ocorreu a pedido de alunos que estariam incomodados com o material espalhado pelo campus. “Só fomos fazer uma limpeza e fomos recebidos assim”, escreveu nas redes sociais. Em outro comentário, afirmou que as universidades federais foram destruídas pela esquerda.

O movimento estudantil Correnteza tem outra versão. Em nota, o grupo afirmou que Ulysses invadiu uma assembleia e rasgou vários cartazes. De acordo com o movimento, os materiais lembravam estudantes mortos e traziam campanhas por melhorias na universidade e reivindicações por melhores condições de vida para os trabalhadores. A nota diz que os alunos reagiram e expulsaram o deputado do espaço.

O influenciador digital Vinicius Santana, que acompanhava Ulysses, relatou nas redes sociais que foi agredido durante a confusão. Segundo ele, uma mulher vestida de branco, que teria se apresentado como professora da UFMT, deu um tapa nele. Ele disse ter gravado a cena e prometeu divulgar as imagens. Até a tarde deste domingo (11), a agressão não havia sido confirmada de forma independente, e não há registro público de boletim de ocorrência.

Esta não é a primeira vez que Ulysses entra em atrito em universidades. Em agosto, ele bateu boca com um candidato do PT em frente ao Instituto de Linguagens da UFMT. No mesmo mês, gravou vídeos com estudantes no campus da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR) e foi alvo de uma representação do Ministério Público Eleitoral por suposta propaganda irregular em prédio público. A Justiça Eleitoral julgou a ação improcedente.

A Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat) também acionou o deputado na Justiça, acusando-o de invadir áreas da Unemat, arrancar cartazes e publicar vídeos considerados ofensivos à instituição.

Ulysses foi eleito deputado estadual no último domingo (4) e toma posse em fevereiro de 2027.

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