O vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), afirmou nesta segunda-feira (16) que não tem espaço na administração municipal comandada pela prefeita Flávia Moretti (PL). A declaração foi dada durante entrevista após reunião realizada na Fecomércio, em Cuiabá, ao ser questionado sobre a perda de influência na gestão após mudanças no comando do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAEVG) e da Secretaria de Educação, áreas que, segundo ele, estavam inicialmente sob sua articulação política.
Zaeli disse que o papel reservado a ele no governo municipal é diferente do que foi discutido durante a campanha eleitoral. Segundo o vice-prefeito, o acordo político firmado na eleição não se concretizou na prática. “Eu não tenho espaço na gestão desde quando nós ganhamos. Fui um mero coadjuvante, não era o que nós combinamos na campanha”, afirmou.
Apesar da crítica, o vice-prefeito evitou atacar diretamente a prefeita e afirmou que Flávia Moretti conduz o governo de forma independente. “A prefeita é muito preparada. Ela não precisou do vice. Ela está consciente do que faz”, declarou.
Zaeli também criticou a presença de quadros ligados ao ex-prefeito Kalil Baracat (MDB) dentro da administração atual. Segundo ele, pessoas que participaram da gestão anterior passaram a ocupar funções na prefeitura.
Durante a entrevista, o vice-prefeito afirmou que atualmente não possui mais indicações dentro da estrutura da prefeitura. Segundo ele, a maior parte dos nomes que permanecem na gestão são ligados à equipe que participou da campanha eleitoral.
Ele citou o ex-secretário de Educação Igor Cunha como uma exceção. Para Zaeli, o trabalho desenvolvido pelo gestor deve ser lembrado. “Ele vinha conduzindo a pasta de forma transparente e focada, fazendo com que os recursos fossem realmente para a educação”, afirmou.
Sobre a nova secretária municipal de Educação, Maria Fernanda, Zaeli disse que não a conhece pessoalmente e afirmou apenas saber que ela é irmã do vereador Carlinhos Figueiredo (Republicanos).
O vice-prefeito também comentou a situação do abastecimento de água no município, considerado um dos principais problemas enfrentados pela população. Questionado sobre o andamento do processo de concessão do serviço, ele afirmou acompanhar o tema apenas de forma superficial.
Segundo Zaeli, a proposta de concessão já deveria ter avançado. Ele disse que a administração aguarda a conclusão de um relatório técnico que ainda não foi finalizado.
“Já era para ter colocado esse projeto para andar. Pelo que sei estão esperando um relatório ficar pronto. Estamos falando de um ano e três meses”, afirmou.
O vice-prefeito também comentou críticas sobre a possível presença de grupos políticos ligados à esquerda dentro da administração municipal, apesar da eleição ter sido vencida por um partido de direita.
Para ele, a eventual participação de nomes com esse perfil estaria em desacordo com o discurso apresentado aos eleitores durante a campanha.
“Nós somos do PL, um partido totalmente contra a esquerda. Se for verdade que há pessoas com esse perfil na gestão, é diferente do que defendemos na campanha”, disse.
Zaeli também afirmou que a eleição municipal foi marcada por um voto de protesto contra a gestão anterior. Segundo ele, esse contexto explica o resultado das urnas.
“Houve uma rejeição muito grande ao governo anterior. Mas hoje o governo anterior está mandando no atual governo”, declarou.
Questionado sobre críticas feitas pela prefeita após sua presença em uma confraternização com lideranças políticas que mantêm divergências com o Executivo, entre elas o presidente da Câmara de Várzea Grande, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), Zaeli minimizou o episódio.
Segundo ele, a relação institucional entre o Legislativo e o Executivo tem funcionado e não representa um problema para a administração.
“O presidente da Câmara não atrapalha a gestão. Em 2025 foram enviados 50 projetos para a Câmara e 42 foram aprovados”, afirmou.
Para o vice-prefeito, o diálogo entre os dois poderes é parte do funcionamento democrático e não deve ser interpretado como interferência política.
“São dois poderes que precisam caminhar alinhados, mas alinhados com as demandas da população”, disse.
Zaeli também defendeu que as decisões políticas no município devem priorizar o interesse público. “Em primeiro lugar está o cidadão que paga imposto. Várzea Grande precisa avançar, independentemente de ideologia ou questões pessoais”, afirmou.










