O Ministério da Saúde ampliou o uso, na rede pública, do teste molecular que identifica a bactéria causadora da hanseníase, em decisão publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira (4). O prazo para que as áreas técnicas efetivem a oferta é de até 180 dias. A mudança tem peso direto em Mato Grosso, que aparece ao lado do Tocantins com as taxas de detecção mais altas do país em 2024.
São duas alterações. A primeira é o tipo de amostra: o exame passa a poder ser feito a partir de raspado intradérmico, coletado na própria lesão, e não apenas de biópsia de pele ou de nervo. A incorporação original, recomendada pela Conitec em dezembro de 2021, previa somente as amostras de biópsia, que dependem de procedimento invasivo e de serviço com estrutura para realizá-lo.
A segunda alteração é o perfil de quem pode fazer o teste. Até agora, o exame estava aprovado para uso exclusivo na investigação de contatos de casos de hanseníase no SUS. Passa a valer também para pacientes com suspeita da doença que não tenham convivido com alguém já diagnosticado.
O teste procura material genético do bacilo na amostra do paciente pela técnica de reação em cadeia da polimerase em tempo real. Funciona como apoio ao diagnóstico, sobretudo quando a avaliação clínica não é conclusiva, e não substitui o exame do paciente feito pelo profissional de saúde.
Mato Grosso é classificado como estado hiperendêmico. Foram 4.723 casos novos notificados em 2024 e 3.770 em 2025, com taxa de detecção de 96,82 por 100 mil habitantes, segundo dados parciais da Secretaria de Estado de Saúde. O patamar de hiperendemia começa em 40 casos por 100 mil habitantes.
O estado também registrou 688 casos novos em menores de 15 anos entre 2019 e 2023, faixa etária usada como indicador de transmissão ativa da doença. Entre os fatores associados à persistência dos índices altos estão as condições socioeconômicas, a dificuldade de acesso aos serviços em regiões ribeirinhas e a falta de profissionais treinados para identificar a hanseníase nos estágios iniciais.
A hanseníase é doença de notificação compulsória, tem cura e o tratamento é gratuito na rede pública. O relatório de recomendação da Conitec sobre a tecnologia fica disponível no site da comissão.
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