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Agro Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026, 20:12 - A | A

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CORRIDA CONTRA O CLIMA

MT antecipa plantio da soja para proteger safra do El Niño e não atrasar milho

Produtores já semearam 1,15% da área prevista, ritmo acima do ano passado, e escalonam o plantio para driblar a chuva irregular.

Rojane Marta/Fatos de MT

Gerada por IA

El Niño preocupa produtores mesmo com plantio da soja adiantado em Mato Grosso

El Niño preocupa produtores mesmo com plantio da soja adiantado em Mato Grosso

Os produtores de Mato Grosso colocaram as primeiras sementes da safra 2026/27 no solo antes do que no ano passado. Até sexta-feira (18), 1,15% dos 13,05 milhões de hectares previstos para a soja já estavam plantados, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O número fica 0,6 ponto percentual acima do registrado na mesma data da safra 2025/26 e chega num momento em que o El Niño preocupa o setor, porque qualquer atraso da soja empurra o plantio do milho safrinha para uma janela mais arriscada.

O oeste do estado puxa a largada, com 2,19% da área semeada, concentrada em Sapezal e Campo Novo do Parecis. O médio-norte aparece logo atrás, com 2,16%, e o norte soma 1,44%, com as lavouras mais adiantadas ao longo da BR-163. No sudeste, onde o plantio se limita por enquanto a áreas irrigadas e regiões de algodão, o índice é de 0,26%. O Vale do Guaporé ainda não tinha registrado plantio na data do levantamento.

O ritmo deve ganhar força a partir do fim desta semana, caso se confirme o aumento das chuvas previsto pelos modelos meteorológicos. O superintendente do Imea, Cleiton Gauer, afirma que os produtores têm trabalhado principalmente com a janela de plantio, distribuindo a semeadura dentro do período ideal e diversificando cultivares para reduzir a exposição à chuva irregular.

A cautela tem motivo. O El Niño costuma reduzir e desorganizar as chuvas no Centro-Oeste, com risco de veranicos e déficit hídrico em fases sensíveis da lavoura. O período mais delicado fica entre a floração e a formação das vagens, quando falta de água ou calor excessivo derrubam a produtividade. O Imea já incorporou esse cenário às projeções e estima produtividade média de 62,44 sacas por hectare, com produção de 48,88 milhões de toneladas. Na safra passada, Mato Grosso colheu 51,56 milhões de toneladas, o que representa uma queda projetada de 5,2%.

O efeito sobre a soja é só parte da conta. Em Mato Grosso, a colheita da soja libera a terra para o milho segunda safra, e a área destinada ao cereal saltou de 4 milhões para 7,5 milhões de hectares em uma década. Se as chuvas atrasarem e a soja for plantada tarde, o milho entra no campo fora do período ideal e corre mais risco de enfrentar a seca do outono.

Essa dependência limita as opções do produtor. Para preservar a janela do milho, muitos preferem cultivares de ciclo curto, o que reduz a margem para diversificar variedades, estratégia apontada pelo professor Elmar Floss, do Instituto de Ciências Agronômicas, como a principal defesa contra o El Niño.

O cenário financeiro também pesa sobre as decisões de plantio. O Imea aponta margens estreitas, custo de produção elevado e crédito restrito como fatores que reduzem a capacidade do produtor de investir em tecnologia nesta safra.

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