Por Sumaia Leite de Almeida*
Todos nós carregamos na memória o nome de um professor. Aquele que teve paciência quando ninguém mais tinha, que enxergou um talento que nem nós mesmos sabíamos que existia, que transformou uma sala comum em um lugar onde valia a pena estar. Antes de sermos o que somos hoje, passamos pelas mãos de alguém que escolheu ensinar. É por isso que o Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, não deveria ser apenas mais uma data no calendário: é uma oportunidade de dizer, em voz alta, o que muitas vezes esquecemos de reconhecer.
Ser professor no Brasil é um ato de dedicação que vai muito além da sala de aula. É preparar aula depois que a escola fecha, é tirar do próprio bolso o material que falta, é acolher o aluno que chega com fome ou com problemas em casa, é insistir mesmo quando o cansaço pesa. O professor é, ao mesmo tempo, educador, conselheiro, exemplo e, não raras vezes, a referência mais estável na vida de uma criança. Nenhuma profissão constrói tanto futuro quanto essa — e poucas são tão exigidas e tão pouco reconhecidas.
Em Várzea Grande, os professores formam uma das maiores e mais importantes categorias do funcionalismo. São eles que, todos os dias, abrem as portas das nossas escolas municipais e seguram a ponta mais sensível do serviço público: a formação das nossas crianças. Quando falo em cuidar do servidor, falo também, e com orgulho, de cuidar de quem ensina. Porque uma cidade que valoriza os seus professores é uma cidade que acredita no próprio amanhã.
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E valorizar o professor não se resume ao dia 15 de outubro, às homenagens e às flores — que são justas, mas passageiras. Valorizar de verdade é garantir condições dignas de trabalho ao longo de toda a carreira e, igualmente importante, assegurar que, depois de tantos anos dedicados a ensinar, esse profissional possa descansar com tranquilidade. É aqui que o meu trabalho se encontra com essa homenagem. Um instituto de previdência existe exatamente para honrar esse compromisso de longo prazo: o de que a entrega de uma vida inteira à educação será retribuída com uma aposentadoria segura e respeitosa.
Penso muito nisso. O professor passa décadas cuidando do futuro dos outros — formando médicos, trabalhadores, mães, pais, cidadãos. Seria uma enorme injustiça que, ao chegar a sua vez de descansar, ele encontrasse incerteza. Por isso entendo que zelar pela previdência dos nossos educadores é uma forma concreta, e não apenas simbólica, de agradecer. É dizer a cada professora e a cada professor de Várzea Grande que o seu futuro está amparado, que o seu trabalho tem valor e que ninguém o verá como um número.
Há também algo que as homenagens oficiais nem sempre alcançam, mas que precisa ser dito: o respeito ao professor começa na forma como a sociedade inteira trata essa profissão. Começa em casa, no modo como ensinamos nossos filhos a tratar quem os educa. Começa quando deixamos de ver a docência como uma escolha menor e passamos a reconhecê-la como uma das mais nobres que existem. Um país que respeita seus professores respeita a si mesmo.
Então, neste 15 de outubro, o meu desejo é simples e sincero. A cada profissional que escolheu a sala de aula como lugar de vida, o meu obrigado — por cada aluno acolhido, por cada lição que foi muito além do conteúdo, por não desistir. Vocês constroem, em silêncio e com afeto, aquilo que nenhuma obra consegue construir: gente melhor. Que não lhes falte reconhecimento enquanto ensinam, nem segurança quando chegar a hora de descansar. Várzea Grande deve a vocês uma parte enorme daquilo que é — e daquilo que ainda será.
Feliz Dia do Professor.
*Sumaia Leite de Almeida, presidente do Instituto de Seguridade Social dos Servidores Municipais de Várzea Grande (Previvag)







