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Artigos Terça-feira, 29 de Setembro de 2026, 09:08 - A | A

Terça-feira, 29 de Setembro de 2026, 09h:08 - A | A

Mailson Prado*

Em 10 anos estaremos todos mortos em Cuiabá?

Assessoria

Mailson Prado

Por Mailson Prado*

Talvez o título pareça exagerado. Talvez seja (um pouco). Mas quando Cuiabá encosta nos 43°C, como aconteceu novamente, começo a me perguntar até quando vamos continuar tratando temperaturas extremas como se fossem apenas uma característica da nossa cidade.

Eu acho engraçado quando viajo para o interior ou para outros estados e alguém pergunta: “Cuiabá é muito quente, como você consegue?” Normalmente, a gente ri, responde que está acostumado e segue a conversa. Porque realmente é verdade.

A Organização Mundial da Saúde alerta que o calor extremo é uma ameaça direta à saúde. Estimativas utilizadas pela OMS apontam cerca de 489 mil mortes relacionadas ao calor por ano no mundo. Em situações extremas, quando o organismo deixa de conseguir controlar sua própria temperatura, o quadro pode evoluir para insolação, comprometimento de órgãos e morte.

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Isso quer dizer que alguém morre porque o termômetro da rua marcou 42°C? Não. Mas significa que temperaturas dessa intensidade, especialmente quando persistem por horas ou dias, aumentam significativamente o risco para idosos, crianças, pessoas com doenças cardiovasculares e respiratórias e também para quem trabalha diariamente debaixo do sol.

E precisamos falar sobre árvores.

Cuiabá já foi conhecida nacionalmente como Cidade Verde. Hoje, você pode andar pela cidade para perceber o quanto dessa identidade desapareceu (principalmente no centro de Cuiabá. Meu Deus, o que se tornou o centro de Cuiabá?). Árvores deram lugar a estacionamentos, praças cimentadas, avenidas e construções que armazenam calor durante o dia e, às vezes, à noite também.

Não podemos responsabilizar só o corte de árvores pelo aumento da temperatura. Existem as mudanças climáticas globais, a expansão urbana, o asfalto e outros fatores. Mas negar o papel das árvores no nosso dia seria fechar os olhos para o óbvio e para aquilo que pesquisas já demonstram: cidades plenamente arborizadas são mais frescas e têm mais conforto térmico. É qualidade de vida. Em uma cidade que ultrapassa os 40°C quase sempre, plantar e preservar árvores também deveria ser tratado como política de saúde pública.

Por isso, admiro iniciativas como o Programa Verde Novo, do Poder Judiciário de Mato Grosso. O projeto já distribuiu e plantou mais de 250 mil mudas de espécies nativas e frutíferas do Cerrado em todo o estado. Qualquer pessoa, instituição ou órgão pode solicitar mudas ou o plantio e, pasmem, é de graça. Você vai plantar uma árvore ou mais de uma e ajudar a melhorar um pouco a cidade.

Talvez não estejamos todos mortos daqui a dez anos. Não existe qualquer estudo que garanta essa previsão.

Mas esse não deveria ser nosso parâmetro.

A pergunta correta é: como estará Cuiabá daqui a dez anos se continuarmos cortando árvores e tratando cada recorde de calor como algo normal?

Então, aproveite seus filhos. Seus pais. Sua família. Aproveite uma tarde debaixo de uma árvore enquanto ainda encontramos uma.

E, principalmente, plante mais uma árvore.

*Mailson Prado é jornalista, estrategista em comunicação e amante da natureza.

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