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Política Terça-feira, 29 de Setembro de 2026, 15:47 - A | A

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FÉ E ELEIÇÃO

Abilio nega organizar ato católico no Parque das Águas e diz que "eleição faz milagre"

Prefeito de Cuiabá afirma que encontro marcado para quarta-feira é reunião pedida por parte da comunidade católica e usa entrevista para atacar Lula, Janja e o PT por "oportunismo religioso"

Rojane Marta/Fatos de MT

Fatos de MT

“Eleição faz milagre”, diz Abilio ao negar organização de ato católico com candidatos

“Eleição faz milagre”, diz Abilio ao negar organização de ato católico com candidatos

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), negou nesta terça-feira (29) que esteja organizando o encontro voltado à comunidade católica marcado para quarta-feira (30), no Parque das Águas, e que reunirá candidatos da direita mato-grossense a quatro dias do primeiro turno. Em entrevista, ele disse que o ato não é um evento, mas uma reunião pedida por uma parcela dos católicos da cidade, e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama Janja e o PT, a quem acusou de mudar de discurso sobre religião em período eleitoral. "Eleição faz milagre", repetiu o prefeito.

A reação de Abilio ocorreu quando foi perguntado se o ato no Parque das Águas seria realizado todos os anos. "Não estou realizando evento. Que evento?", respondeu. Ao ouvir que se tratava do encontro com o deputado federal Coronel Assis (PL) e outros candidatos, corrigiu a descrição. "É uma reunião, um encontro, que eles estão pedindo para fazer lá."

O convite divulgado nas redes anuncia a presença de Coronel Assis, candidato à reeleição para a Câmara, da vereadora Samantha Íris (PL), candidata a deputada estadual, do candidato ao Senado José Medeiros (PL) e do próprio prefeito, a partir das 19h, e tem o vereador Coronel Dias entre os promotores.

O encontro foi marcado em meio à repercussão envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e setores da Igreja Católica, depois de publicações que associaram sua campanha à proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o que ele negou. O episódio provocou manifestações de bispos e da CNBB.

Segundo Abilio, católicos e evangélicos, "cada um dentro do seu espectro", decidiram se reunir para manifestar apoios diante do que chamou de ataques às religiões católica e evangélica.

O prefeito ressaltou que não fala em nome de todos os integrantes das duas religiões. "É todos os católicos? Lógico que não. É todos os evangélicos? Lógico que não. Não é generalizado nada disso."

Segundo ele, uma parcela da comunidade católica vai ao Parque das Águas "manifestar alguns apoios", o que classificou como "um processo natural do período eleitoral".

Abilio também criticou o governo federal. Disse que a eleição fez Janja, que segundo ele é da umbanda, vestir a camisa do Flamengo com o símbolo de Nossa Senhora no peito e se reunir com evangélicos "falando que são evangélicos de esquerda".

Afirmou ainda que o PT passou a defender "entre aspas, oportunamente" um posicionamento religioso e lembrou a campanha de 2018, quando, segundo ele, Fernando Haddad e Manuela D'Ávila foram à igreja e chegaram a comungar.

O prefeito também citou o último carnaval, quando, segundo ele, houve críticas à fé cristã, evangélicos foram retratados "em latinhas de conserva" e o padre Frei Gilson, bispos e padres que se posicionaram foram atacados e perseguidos. Ele não detalhou os episódios.

Abilio afirmou ainda que Lula atacou "veementemente, em dois, três discursos" a Igreja Batista da Lagoinha, "de forma caluniosa e difamatória", e declarou apreço pela instituição.

"A Igreja Lagoinha é uma igreja séria, com posicionamento sério, com respeito. E se ele ataca a Igreja Lagoinha hoje, de maneira a quase destruir a imagem da igreja, qual é a próxima igreja que ele vai se posicionar?", questionou.

Para o prefeito, não cabe a um presidente da República atacar ou tentar desconstruir uma fé religiosa.

A declaração mencionada por Abilio foi feita na segunda-feira (28), durante comício de Lula em Belém, no Pará. O presidente disse que "a única igreja mentirosa" é a Lagoinha, de Belo Horizonte, e associou o pastor André Valadão ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado por fraudes.

Relatórios do Coaf apontam repasses à igreja feitos por investigados ligados a Vorcaro, e Lula pediu apuração do caso. No mesmo discurso, o presidente defendeu o respeito a todas as religiões, inclusive as de matriz africana, e disse que ninguém vai "avacalhar" Nossa Senhora Aparecida enquanto ele for presidente.

Abilio também citou Marx ao acusar Lula de oportunismo. Disse que quem conhece o marxismo sabe que a religião é chamada de "ópio do povo" e que Lula, que costuma citar Marx e Engels, "está lá fingindo ser um religioso".

O prefeito estendeu as críticas à economia. Afirmou que o governo regulamentou as bets nos últimos três anos, arrecadou recursos do setor e agora, no período eleitoral, "faz de conta de que não quer mais", sem devolver o dinheiro das empresas.

Também citou a chamada taxa das blusinhas como exemplo de imposto criado pelo próprio governo e agora revertido em campanha.

"O processo eleitoral revela muito da índole e do caráter daquele candidato", concluiu o prefeito.

O primeiro turno das eleições ocorre no domingo (4). Até a publicação, não havia manifestação do PT de Mato Grosso ou da campanha de Lula sobre as declarações de Abilio.

 

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