O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), negou nesta terça-feira (29) que esteja organizando o encontro voltado à comunidade católica marcado para quarta-feira (30), no Parque das Águas, e que reunirá candidatos da direita mato-grossense a quatro dias do primeiro turno. Em entrevista, ele disse que o ato não é um evento, mas uma reunião pedida por uma parcela dos católicos da cidade, e atacou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama Janja e o PT, a quem acusou de mudar de discurso sobre religião em período eleitoral. "Eleição faz milagre", repetiu o prefeito.
A reação de Abilio ocorreu quando foi perguntado se o ato no Parque das Águas seria realizado todos os anos. "Não estou realizando evento. Que evento?", respondeu. Ao ouvir que se tratava do encontro com o deputado federal Coronel Assis (PL) e outros candidatos, corrigiu a descrição. "É uma reunião, um encontro, que eles estão pedindo para fazer lá."
O convite divulgado nas redes anuncia a presença de Coronel Assis, candidato à reeleição para a Câmara, da vereadora Samantha Íris (PL), candidata a deputada estadual, do candidato ao Senado José Medeiros (PL) e do próprio prefeito, a partir das 19h, e tem o vereador Coronel Dias entre os promotores.
O encontro foi marcado em meio à repercussão envolvendo o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e setores da Igreja Católica, depois de publicações que associaram sua campanha à proposta de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, o que ele negou. O episódio provocou manifestações de bispos e da CNBB.
Segundo Abilio, católicos e evangélicos, "cada um dentro do seu espectro", decidiram se reunir para manifestar apoios diante do que chamou de ataques às religiões católica e evangélica.
O prefeito ressaltou que não fala em nome de todos os integrantes das duas religiões. "É todos os católicos? Lógico que não. É todos os evangélicos? Lógico que não. Não é generalizado nada disso."
Segundo ele, uma parcela da comunidade católica vai ao Parque das Águas "manifestar alguns apoios", o que classificou como "um processo natural do período eleitoral".
Abilio também criticou o governo federal. Disse que a eleição fez Janja, que segundo ele é da umbanda, vestir a camisa do Flamengo com o símbolo de Nossa Senhora no peito e se reunir com evangélicos "falando que são evangélicos de esquerda".
Afirmou ainda que o PT passou a defender "entre aspas, oportunamente" um posicionamento religioso e lembrou a campanha de 2018, quando, segundo ele, Fernando Haddad e Manuela D'Ávila foram à igreja e chegaram a comungar.
O prefeito também citou o último carnaval, quando, segundo ele, houve críticas à fé cristã, evangélicos foram retratados "em latinhas de conserva" e o padre Frei Gilson, bispos e padres que se posicionaram foram atacados e perseguidos. Ele não detalhou os episódios.
Abilio afirmou ainda que Lula atacou "veementemente, em dois, três discursos" a Igreja Batista da Lagoinha, "de forma caluniosa e difamatória", e declarou apreço pela instituição.
"A Igreja Lagoinha é uma igreja séria, com posicionamento sério, com respeito. E se ele ataca a Igreja Lagoinha hoje, de maneira a quase destruir a imagem da igreja, qual é a próxima igreja que ele vai se posicionar?", questionou.
Para o prefeito, não cabe a um presidente da República atacar ou tentar desconstruir uma fé religiosa.
A declaração mencionada por Abilio foi feita na segunda-feira (28), durante comício de Lula em Belém, no Pará. O presidente disse que "a única igreja mentirosa" é a Lagoinha, de Belo Horizonte, e associou o pastor André Valadão ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, investigado por fraudes.
Relatórios do Coaf apontam repasses à igreja feitos por investigados ligados a Vorcaro, e Lula pediu apuração do caso. No mesmo discurso, o presidente defendeu o respeito a todas as religiões, inclusive as de matriz africana, e disse que ninguém vai "avacalhar" Nossa Senhora Aparecida enquanto ele for presidente.
Abilio também citou Marx ao acusar Lula de oportunismo. Disse que quem conhece o marxismo sabe que a religião é chamada de "ópio do povo" e que Lula, que costuma citar Marx e Engels, "está lá fingindo ser um religioso".
O prefeito estendeu as críticas à economia. Afirmou que o governo regulamentou as bets nos últimos três anos, arrecadou recursos do setor e agora, no período eleitoral, "faz de conta de que não quer mais", sem devolver o dinheiro das empresas.
Também citou a chamada taxa das blusinhas como exemplo de imposto criado pelo próprio governo e agora revertido em campanha.
"O processo eleitoral revela muito da índole e do caráter daquele candidato", concluiu o prefeito.
O primeiro turno das eleições ocorre no domingo (4). Até a publicação, não havia manifestação do PT de Mato Grosso ou da campanha de Lula sobre as declarações de Abilio.
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